Energia

EDP Distribuição já investiu 130 milhões em contadores inteligentes

Contadores

A meta da empresa derrapou três anos: queria chegar aos 6 milhões de contadores inteligentes até 2022, mas até agora só tem 1,9 milhões

Admite que os 100% dos consumidores só serão abrangidos em 2025. A ERSE lançou uma consulta pública para regulamentar as redes elétricas inteligentes no país.

Os números são da própria EDP Distribuição: “No final de 2018, o número de contadores inteligentes já instalados era próximo dos 1,9 milhões, correspondendo a 31% do total de clientes e a um investimento global (contadores e infraestruturas de comunicação) de cerca de 130 milhões de euros”.

Mantendo-se o ritmo de instalação dos últimos anos, a empresa admite que em 2025 a sua base total de clientes possa estar coberta, disse fonte oficial ao Dinheiro Vivo. Faltam instalar ainda 4,1 milhões de contadores inteligentes nos próximos seis anos.

Esta meta da EDP Distribuição já derrapou pelo menos três anos. Isto porque, em março do ano passado, o presidente da empresa, João Torres, garantia ao Dinheiro Vivo a ambição de até 2022, no máximo, 100% dos consumidores de eletricidade (mais de seis milhões) terem um contador inteligente em casa. Nessa altura a EDP Distribuição estava a instalar em média 10 mil novos contadores por semana, num total de 1,3 milhões aparelhos e 35 milhões de euros de investimento. O responsável prometia investir mais 50 milhões até 2020 em redes inteligentes e admitia algumas falhas na comunicação entre os próprios contadores e os postos de transformação. Ou seja, a rede não era ainda totalmente inteligente. “Se me pergunta se funciona a 100%, a resposta é não. Mas os números são acima dos 90%”, disse então João Torres

2018 foi também o ano em que a EDP contratou a Schneider Electric como “fornecedor de equipamentos para modernização da rede” para “dar inteligência” à rede elétrica portuguesa, como avançou o Dinheiro Vivo. João Rodrigues, country manager da Scheider Electric em Portugal, garantiu que os trabalhos de modernização e automação da rede elétrica ficariam concluídos até ao final de 2018. A tarefa da Schneider passou por “integrar todos os aparelhos e todos os sistemas” já existentes numa plataforma (equipamentos de hardware e sistemas de software) que opera com base na tecnologia patenteada EcoStruxure Grid, para “garantir uma boa gestão dos dados para os operadores de redes e distribuição de energia”.

A EDP dá um exemplo prático: “Em situações, como a que vivemos há meses, com a tempestade Leslie, se toda a zona afetada estivesse coberta com contadores e rede inteligente , a atuação da EDP Distribuição teria sido mais ágil na recuperação da rede de baixa tensão, uma vez que não existiria a dependência de inspeção visual por parte das equipas operacionais, ou a necessidade dos clientes notificarem as falha de energia. O cliente final beneficia ainda da possibilidade de acompanhar os seus consumos, analisar o seu comportamento e poder ajustar o seu tarifário em conformidade”.

A Comissão Europeia também já definiu, entretanto, as redes elétricas inteligentes como um objetivo prioritário, tendo em conta que permitem a oferta de tarifas dinâmica, aumentar a concorrência no mercado retalhista, dar mais informação aos consumidores, aumentar a eficiência energética, maior eficiência na gestão e operação das redes, entre muitas outras vantagens.

A nível europeu existem já um conjunto significativo de países que decidiu favoravelmente quanto à instalação de contadores inteligentes, nomeadamente a Áustria, Dinamarca, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Reino Unido e Suécia, de acordo com o documento da consulta pública sobre a regulamentação dos serviços das redes inteligentes de distribuição de energia elétrica lançado na semana passada pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

O regulador reconhece que a EDP Distribuição, enquanto operador de rede, tem apostado nesta área, tendo já instalado “1,5 milhões de contadores inteligentes, começando em 2007 pela realização de projetos-piloto sobre redes inteligentes, embora a instalação tenha sobretudo começado em 2015, quando a opção da empresa foi descontinuar a instalação de contadores convencionais”.

O processo tem decorrido lentamente no terreno, apenas com um quarto dos clientes de eletricidade a ter contadores inteligentes (os números do regulador ficam abaixo dos agora revelados pela EDP Distribuição). Agora a ERSE quer ver regulamentadas as redes de inteligentes de distribuição de energia elétrica, desde as leituras do contador, passando pelo controlo da potência controlada, até às alterações contratuais. A consulta pública durará até 15 de fevereiro.

“Os projetos de instalação massiva de contadores inteligentes e da sua integração em redes inteligentes apresentados pelos operadores de rede apontam para que, até 2020, cerca de 50% dos consumidores finais tenham a sua instalação elétrica integrada numa rede inteligente”, refere a ERSE. Os restantes 50% terão de ser concretizados em cinco anos, até 2025, diz a EDP Distribuição.

“A proposta de regulamentação colocada em consulta pública pela ERSE reconhece de forma inequívoca o contributo das redes inteligentes para a eficiência e modernização do setor energético em Portugal. Reconhece também o facto dos benefícios das redes inteligentes reverterem para a toda a sociedade e não apenas para o operador de rede de distribuição. Alimentamos a expectativa de que o novo incentivo à integração de instalações de redes inteligentes conferirá um quadro compatível com a aceleração da sua instalação”, considerou fonte oficial da EDP Distribuição.

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