Energia

EDP e Engie investem até 50 mil milhões para serem líderes em eólicas no mar

EDP_ENGIE2

O objetivo é atingir os 5 a 7 GW de projetos em operação ou construção e 5 a 10 GW em desenvolvimento avançado até 2025.

A portuguesa EDP e a francesa Engie anunciaram esta terça-feira em Londres a assinatura de um memorando de entendimento estratégico para criar uma joint-venture controlada em partes iguais (50/50) no segmento eólico offshore, tanto fixo como flutuante.

Juntas, as duas empresas querem ser um dos cinco maiores operadores de turbinas eólicas no mar do mundo e chegar a uma capacidade máxima instalada de 17 GW até 2030. As geografias que estão na mira desta joint-venture são a Europa, Estados Unidos e alguns países asiáticos, como o Japão, Coreia do Sul e China, tendo em conta a presença acionista da China Three Gorges na EDP, disse o CEO da EDP, António Mexia.

Programado para estar operacional até ao final de 2019, o projeto ainda não tem nome definido mas António Mexia anunciou que a nova empresa terá sede em Madrid. O chairman da joint-venture será o português Paulo Almirante, com responsabilidades de vice-presidente executivo na Engie, e o cargo de CEO será assumido pelo grego Spyros Martinis Spettel, até agora chief development officer da EDP Renováveis.

Ao Dinheiro Vivo, o novo chairman do projeto, Paulo Almirante, apontou o investimento necessário (dividido pelas duas empresas) para ter um máximo de 17 GW de potência instalada eólica offshore em 2030 (num cenário mais otimista) na ordem dos 51 mil milhões de euros, tendo em conta um valor entre dois e três milhões de euros por cada MW instalado.

Mais certo é que em 2025 as duas empresas querem ter já em operação/construção entre 5 a 7 GW, o que equivale a um investimento entre 15 e 21 mil milhões de euros nos próximos seis anos. Como ponto de partida, a joint-venture tem já um potencial de 5,5 GW (entre projetos em construção, assegurados e em avançado desenvolvimento) em seis mercados: Portugal, EUA, Reino Unido, Bélgica, França e Polónia. Nestes país, onde as duas empresas já estão hoje presentes, a parceria futura prevê cerca de 40 GW de capacidade offshore até 2030.

Quanto aos mercados potenciais para futuro investimento estão identificados e são cinco: Holanda, Japão, Coreia do Sul, Índia e Irlanda, estes com um potencial para desenvolver cerca de mais 34 GW.

Em declarações ao Dinheiro Vivo, Paulo Almirante explicou ainda que a cargo da nova joint-venture ficará cerca de 50% do investimento total (dos quais 7o% serão financiados por empréstimos bancários), com os outros 50% provenientes de outros parceiros específicos para cada projeto em concreto, tal como já acontece agora.

A informação de criação desta parceria foi enviada em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e, ao mesmo tempo, anunciada em Londres pelas vozes de António Mexia, CEO da EDP e Isabelle Kocher, CEO da ENGIE.

“Partilhamos a mesma visão sobre o que vai acontecer no futuro das renováveis e sobretudo sobre a importância do offshore. É um movimento natural”, disse Mexia na apresentação do projeto. Em dezembro de 2018 a Engie juntou-se ao consórcio Windfloat Atlantic (25MW), liderado pela EDP, para criar a primeira central eólica offshore no mundo, que vai nascer em 2019 ao largo da costa de Viana do Castelo, com três turbinas. Esta joint-venture luso-francesa aponta para outros projetos de eólico offshore flutuante nomeadamente nos EUA e França, além de Portugal. Em todas as restantes geografias as centrais eólicas serão no mar, mas fixadas ao fundo.

“A nova entidade será o veículo exclusivo de investimento da EDP, através da sua subsidiária detida em 82,6%, EDPR, e da ENGIE para oportunidades eólicas offshore em todo o mundo e passará a ser um dos cinco maiores operadores de offshore a nível global na área, combinando a competência industrial e a capacidade de desenvolvimento das duas empresas”, informou a EDP em comunicado.

A EDP e a ENGIE combinarão os seus ativos eólicos offshore e os projetos em desenvolvimento na recém-criada joint-venture, iniciando com um total de 1,5 GW em construção e 4,0 GW em desenvolvimento, com o objetivo de atingir os 5 a 7 GW de projetos em operação ou construção e 5 a 10 GW em desenvolvimento avançado até 2025.

Esta “aliança” segue-se à colaboração entre a EDP Renováveis e a Engie durante seis anos (desde 2013) como parceiros de um consórcio nos projetos eólicos offshore fixos de Dieppe Le Tréport e Yeu Noirmoutier (França) e de Moray East e Moray West (ReinoUnido). As duas empresas são também parceiras em dois projetos eólicos offshore flutuantes em França e Portugal e participam em conjunto no concurso para o eólico offshore de Dunquerque, a decorrer em França.

(A jornalista viajou para Londres a convite da EDP)

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Assembleia da República. Fotografia: António Cotrim/Lusa

Gestores elegem medidas para o novo governo

Entrevista DV/TSF com secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.
Fotografia: PAULO SPRANGER/Global Imagens)

Ana M. Godinho: “É preciso um compromisso de valorização e subida de salários”

TVI

Cofina avança com OPA sobre 100% da Media Capital por 255 milhões

Outros conteúdos GMG
EDP e Engie investem até 50 mil milhões para serem líderes em eólicas no mar