Energia

EDP quer exportar tecnologia do maior parque eólico flutuante do mundo

António Mexia  (EDP) durante a cerimonia de assinatura de financiamento por parte do Banco Europeu de Investimento (BEI) da Windfloat Atlantic. Um projecto de aproveitamento do movimento eólico no mar ao largo de Viana do Castelo.
(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)
António Mexia (EDP) durante a cerimonia de assinatura de financiamento por parte do Banco Europeu de Investimento (BEI) da Windfloat Atlantic. Um projecto de aproveitamento do movimento eólico no mar ao largo de Viana do Castelo. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

António Mexia e João Manso Neto garantem que a tecnologia Windfloat pode ser replicada em países como o Japão ou França. Falta baixar os custos.

 

A primeira central de energia eólica flutuante à escala mundial será portuguesa e vai nascer no mar, a 20 km da costa de Viana do Castelo, em 2019, pela mão da Windplus, uma empresa subsidiária da EDP Renováveis, Repsol e Principle Power, com um financiamento de 60 milhões do Banco Europeu de Investimento. No total, a segunda fase do projeto – que entrará agora na sua fase pré-comercial denominada Windfloat Atlantic – terá a duração de três anos e um investimento total de 125 milhões de euros, anunciou ontem o presidente da EDP, António Mexia.

“Este projeto é pioneiro e inovador a nível mundial no que diz respeito a energia renovável offshore”, disse Mexia, avançando com previsões de custos de 65 euros por MWh para a construção desta central (cerca de um terço do valor face aos mais de 200 euros por MWh que se registavam em 2010). Deixou ainda em cima da mesa um cenário futuro de exportação desta “nova geração de energia eólica” para países como “o Japão e outros que precisam de energias renováveis mas que não têm espaço em terra e apostam no eólico offshore e nestas tecnologias inovadoras, nas quais Portugal consegue provar que está na linha da frente”.

João Manso Neto, presidente da EDP Renováveis, acompanhou o raciocínio e sublinhou a redução dos custos, que permitirá replicar o projeto noutros países. “Este projeto vai tornar esta tecnologia competitiva. Que ela funciona e que resiste a tudo, até ao mar Atlântico português, já está demonstrado. Agora temos de baixar os custos. Há muitos locais do mundo onde não é possível desenvolver o eólico onshore, o solar também não, por questões de espaço. O offshore flutuante é uma alternativa. Se conseguirmos baixar os custos amanhã teremos outros países a lançar grandes concursos de eólicas flutuantes. Este projeto é um trampolim para o futuro”.

O potencial é enorme e foi sublinhado pela ministra do Mar, Ana Paula Vitorino: “A indústria portuguesa na área das energias renováveis oceânicas tem um mercado potencial de 59 mil milhões de euros até 2030, em termos de exportações da energia eólica offshore flutuante. A instalação deste parque eólico offshore flutuante nas águas profundas de Viana de Castelo será o showroom tecnológico da capacidade de Portugal”.

Do ponto de vista de Bruxelas, “a tecnologia desenvolvida por este projeto vai contribuir de forma decisiva para o progresso da indústria eólica europeia, já que estas plataformas trazem novas oportunidades e novos mercados”, disse Emma Navarro, vice-presidente do BEI, que suportará a maior fatia do investimento.

Investimento de 125 milhões de euros ao longo de três anos

“Estamos aqui para celebrar o financiamento do maior projeto a nível mundial de aproveitamento de energia eólica no mar. Um projeto de 125 milhões que tem um apoio muito significativo da Comissão Europeia, do BEI e também do governo português”, reforçou António Mexia na cerimónia de assinatura do contrato com o BEI, que teve lugar na sede da EDP, em Lisboa. O projeto receberá ainda um financiamento de 30 milhões de fundos comunitários (programa NER300) e mais de seis milhões do governo, através do Fundo Português de Carbono. Os restantes 29 milhões serão suportado pelos acionistas da EDP. A central eólica terá tarifas subsidiadas entre 123 e 148 euros por MWh hora durante 25 anos.

O presidente da EDP Renováveis, João Manso Neto, garantiu que o parque eólico Windfloat Atlantic estará operacional “até ao final do ano que vem”. As primeiras expectativas para a entrada em produção do projeto apontavam para o verão de 2019. No terreno, a REN só agora está a dar início aos trabalhos de construção do cabo submarino que permitirá ligar a central eólica flutuante à rede de distribuição, disse fonte oficial da empresa ao Dinheiro Vivo.

O novo parque eólico offshore terá capacidade para produzir eletricidade suficiente para fornecer 60 mil pessoas, com uma capacidade instalada de 25 MW dividida por três turbinas eólicas com uma capacidade de 8,4MW, assentes em plataformas flutuantes, ancoradas ao fundo marinho a uma profundidade de 100 metros. Na primeira fase do projeto, de testes à tecnologia, o projeto teve já um investimento de 23 milhões de euros para uma única turbina de 2MW.

António Mexia sublinhou que nos últimos anos esta primeira torre eólica flutuante aguentou ondas de mais de 15 metros no oceano Atlântico, ao largo da costa portuguesa, o que permitiu avançar agora na expansão do projeto. A construção das plataformas flutuantes está a cargo da PME portuguesa ASM Industries, que as deverá entregar em junho do próximo ano.

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