Embaixador dos EUA em Portugal: “Há uma nova geração de portugueses que sabe vender-se”

Robert Sherman com a cadela Zoe, que a família salvou nos Estados Unidos
Robert Sherman com a cadela Zoe, que a família salvou nos Estados Unidos

Chegou a Lisboa em abril e demorou pouco tempo a pôr as coisas a mexer. Robert Sherman, novo embaixador dos Estados Unidos em Portugal, pediu para vir. Queria conhecer o país de que falavam os vizinhos imigrantes portugueses, enquanto crescia em Boston. E está surpreendido com o que encontrou.

Quais são as suas prioridades?

Melhorar a relação bilateral entre os EUA e Portugal, um aliado de longa data. Em especial a componente económica, promovendo o empreendedorismo, ajudando as empresas a escalar.

Como avalia a situação económica do país?

Um pouco melhor do que o esperado. Sabia que Portugal estava a sair de uma crise económica severa, que o desemprego era elevado. O que não esperava era haver tantas coisas boas a acontecer na economia, que têm a hipótese de posicionar Portugal como um player importante. A inovação é um exemplo perfeito, o número de startups que estão a enraizar-se em Lisboa, no centro do país, no norte, a energia e excitação que estão a ser gerados por esses empreendedores, é algo que eu não esperava. Alguém chamou a Lisboa uma “cama quente de startups” e penso que é uma boa frase, para Portugal em geral.

Portugal não costuma saber vender-se bem. O que deve promover?

Há uma nova geração de portugueses que sabe vender-se. O MIT, uma das principais escolas de tecnologia dos EUA, diz que a qualidade da inovação e tecnologia das universidades portuguesas é equivalente. Mas Portugal deve vender-se como país. As pessoas são amistosas e acolhedoras. Pode ter-se praias lindíssimas, bom tempo, bom vinho, bom queijo, mas se não tiver um povo maravilhoso, isso perde-se. Portugal precisa de vender quem são os portugueses. É bom para atrair turismo, investimento e negócios.

Como correu a visita a Portugal de investidores norte-americanos?

Foi fabuloso. Mostrámos a extensão e escala do tipo de inovação que está a acontecer aqui. Manufatura no norte, biotecnologia no centro, serviços em Lisboa. Tiveram a oportunidade de ver o campo, de provar a comida, beber o vinho. Descobriram que não apenas há um excelente clima económico para investir, como também é um bom país para estar.

O que se vai passar em 2015 em Washington?

Haverá uma mostra de Portugal e Espanha. É uma grande oportunidade de introduzir os americanos à cultura portuguesa. As pessoas terão a oportunidade de saber mais sobre o teatro, música, quadros, artesanato. Cortiça e outros produtos estarão expostos durante três semanas em Washington, no Kennedy Center.

Haverá uma delegação de portugueses a ir aos EUA?

Sim. Há um grupo de empreendedores que irá em setembro, e vai ser posto em contacto com investidores angel. Também vamos enviar um executivo de uma capital de risco portuguesa a Cambridge, em agosto, para aprender como avaliar o risco e investir em tecnologia.

É melhor para os portugueses sediarem as suas empresas nos EUA?

Há vantagens para as startups portuguesas em estarem nos EUA, têm exposição a um mercado de 350 milhões de pessoas e a fontes de capital, mas não é a única forma. Queremos criar um “efeito volante”, ter empresas envolvidas nos EUA e empresas americanas aqui em Portugal, criando um buzz sobre as oportunidades de investimento em Portugal, e criar empregos nos dois países.

Como pode Portugal beneficiar do TTIP [Tratado Transatlântico]?

Portugal será um dos principais beneficiários. Quando se removem obstáculos ao comércio e se promovem trocas entre os EUA e a Europa, os principais beneficiários serão as pequenas e médias empresas.

Depois do escândalo da NSA, como fica a questão da segurança?

A questão é encontrar o equilíbrio adequado. Só é preciso olhar para o que tem acontecido na Síria, Iraque, Ucrânia, Israel, Gaza, para saber que o mundo é um sítio mais perigoso do que era há três meses. Isso coloca muita pressão na necessidade de recolher informação e poder usá-la para manter a segurança. Ao mesmo tempo, há um reconhecimento de que a privacidade das pessoas tem de ser respeitada.

O que pensa da Base das Lajes?

Podemos ajudar ao desenvolvimento económico nos Açores. Nunca é bom quando as pessoas estão dependentes de uma fonte de rendimento. Uma segunda coisa é o reconhecimento de que há formas de os EUA se envolverem com Portugal de uma forma estratégica. Prefiro olhar para a frente, em termos do desenvolvimento económico e envolvimento estratégico. Devemos olhar para os próximos trinta anos sobre como podemos trabalhar juntos para manter o mundo seguro.

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