“Embora não seja impressionante, não deixa de ser uma novidade Portugal emitir a taxas negativas”

Analistas falam sobre a emissão de Portugal
Analistas falam sobre a emissão de Portugal

Pela primeira vez na sua história, o IGCP emitiu dívida com juros negativos. Mais concretamente, a taxa a seis meses fixou-se em -0,002%. No total, o país colocou o montante máximo previsto, de 1,5 mil milhões de euros.

O objetivo do IGCP passava por captar entre 1,25 e 1,5 mil milhões de euros com prazo a 6 e a 12 meses. A meta foi alcançada, com a agência que gere a dívida pública a colocar os 1,5 mil milhões de euros.

A novidade está na taxa de juro no prazo mais curto. Pela primeira vez, a taxa média ponderada na linha a 6 meses fixou-se em -0,002%, na prática, os investidores que subscreveram títulos de dívida portuguesa aceitam receber menos dinheiro do que aquele que emprestaram ao Estado. Neste prazo foram colocados 300 milhões de euros, com a procura a ser 4,61 vezes superior à oferta.

Filipe Silva, Diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa:

“Embora não seja um dado impressionante para quem acompanha os mercados, não deixa de ser uma novidade Portugal estar a emitir a taxas negativas. Como os Bilhetes de Tesouro (BT) não pagam juro cupão, estamos a falar de uma emissão acima do par.

Os BT a 6 meses foram emitidos a um preço médio de 100.001. Ou seja, o Estado recebe hoje 100.001, mas só vai ter que entregar 100 daqui a 6 meses. Isto é pedir dinheiro emprestado a custo zero. Esta taxa negativa é um mínimo histórico nas emissões neste prazo. A 12 meses, os dados não se afastaram do que estávamos à espera.

Este movimento é, acima de tudo, o resultado do plano de compras de ativos do BCE.

Mesmo assim, Portugal continua a ser uma das melhores alternativas de investimento na zona euro. Este nível de taxas é muito positivo para descer o custo médio da dívida portuguesa”

Ricardo Marques, Especialista de Dívida da IMF – Informação dos Mercados Financeiros:

“Tivemos pela primeira vez uma taxa negativa na maturidade a 6 meses. Estava à espera de taxas baixas, tendo em conta que o mercado monetário está perto de zero e que a taxa Euribor está a descer todos os dias.

Mostra que o apetite pela dívida de curto prazo segue muito forte e não está a ser minimamente afetado pelos constrangimentos da dívida de médio e longo prazo, ou seja, o ‘sell off’ das últimas semanas.

O BCE já deu a entender que vai manter as taxas baixas por algum tempo, por isso esta tendência não se vai alterar.

Já a questão da Grécia não está a ter influência nem no ‘bund’ alemão, nem na dívida dos periféricos, mas atenção que o país tem um importante reembolso ao FMI a 5 de junho. Se pagar tudo bem, se não pagar esta tendência pode mudar”. Com Reuters

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