a vida do dinheiro

“Emissão em moeda chinesa vai ser feita. Green bonds são uma possibilidade”

Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado Adjunto e das Finanças. Fotografia: Jorge Amaral/Global Imagens
Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado Adjunto e das Finanças. Fotografia: Jorge Amaral/Global Imagens

Mourinho Félix estima que os pagamentos antecipados ao FMI tenham permitido poupanças de 850 milhões de euros.

O secretário de Estado adjunto e das Finanças, Mourinho Félix, defende que a dívida portuguesa está bem preparada para suster os impactos que possam surgir devido à retirada dos estímulos por parte do BCE. Observa que Portugal conseguiu alargar a base de investidores. Revela que o Tesouro está à espera do momento certo para emitir dívida na China e que, para ter mais opções de financiamento, está também a analisar as green bonds, obrigações que servem para financiar projetos ambientalmente sustentáveis e que têm registado um aumento do apetite dos investidores.

Portugal acelerou os reembolsos ao FMI. Quanto é que estratégia, iniciada no governo anterior, permitiu ao Estado poupar em juros?

Em relação aos pagamentos que fizemos já no âmbito deste governo, de cerca de 15 mil milhões de euros do reembolso total de 23 mil milhões de euros, permitiram uma poupança de 850 milhões de euros. Estes são os valores, mas são disputáveis com um contrafactual diferente.

Portugal tem tentado alargar a base de investidores e há meses falou-se da possibilidade de emitir dívida e moeda chinesa. Essa operação está em cima da mesa?

Está em cima da mesa, estamos a olhar para as condições de mercado e a decidir qual é a melhor altura para fazer essa emissão. É algo que vai ser feito da mesma forma que estamos a olhar também para outras possibilidades como os green bonds.

Esta semana na reunião do Eurogrupo foi escolhido o candidato para a vice-presidência do BCE. No próximo ano haverá substituição de Mario Draghi e fala-se que o candidato mais forte é o presidente do banco central alemão. Portugal apoiaria um candidato alemão para presidente do BCE?

Quando se pôs a questão da nomeação do vice-presidente o que disse foi: “vamos ver quem são os candidatos que surgem e avaliá-los”. Aqui põe-se a mesma questão. Há um processo que será iniciado na altura própria, existirão candidatos e olhando para os seus perfis e currículos o governo português tomará uma decisão. Não há nenhum a prior em relação a nenhum candidato.

Enquanto as compras do BCE forem superiores a 25 mil milhões de euros não existirá nenhum impacto [para a dívida portuguesa]. Abaixo disso poderá existir. Há fatores que nos dão conforto face ao que possa ser o impacto de uma redução dos estímulos do BCE.

A política monetária na zona euro vai entrar em inversão e o BCE vai retirar algumas medidas de estímulo que ajudaram a dívida portuguesa. Portugal está preparado para este novo ciclo de política monetária? A dívida portuguesa está bem protegida?

Já começou esse processo. O BCE comprava cerca de 60 mil milhões por mês, agora compra 30 mil por mês. Existe um limite operacional. O BCE não pode comprar mais do que um terço de cada linha e esse é o limite que é efetivo para Portugal, portanto esta redução não teve nenhum impacto porque já tinha atingido esse limite. Enquanto as compras forem superiores a 25 mil milhões de euros por mês não existirá nenhum impacto. Daí para abaixo poderá existir um impacto. As compras que o BCE tem feito têm sido importantes para estabilizar o mercado de dívida soberana na área do euro. Portugal tem-se preparado, alongando a maturidade da sua dívida. Temos uma maturidade média de oito anos que consideramos apropriada, portanto estamos preparados para flutuações de taxas de juro que possam aparecer. Temos uma almofada financeira de cerca de 40% das necessidades de financiamento, o que nos dá uma certa imunidade face a impactos que venham a existir. Mais importante, temos a confiança dos investidores e uma base de investidores que se tem alargado ao longo dos últimos meses com os upgrades que têm existido. Neste momento já temos fundos de pensões e investidores de longo prazo a comprar dívida portuguesa que têm uma perspetiva de ter essa dívida durante um período longo ou até à maturidade e não meramente de compra e venda de curto prazo. Tudo isto são fatores que nos dão conforto face ao que possa ser o impacto de uma redução dos estímulos do BCE.

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