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Emprego aumentou mas precariedade impede saída da pobreza

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Conclusão são do Barómetro do Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, hoje divulgado.

O terceiro Barómetro do Observatório de Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa, publicado no livro “Trânsito condicionado”, mostra que a inserção no mercado de trabalho se “faz em condições tão precárias que nenhum [entrevistado] consegue sair da situação de pobreza”.

O documento refere que “a desigualdade social e a precarização do trabalho têm estado em acelerada evolução e atingem grandes grupos populacionais a partir de baixos salários, trabalho sem contrato, penosas condições laborais, nomeadamente em termos de horários”, o que condiciona a evolução social.

Em 2011 (data do início do estudo), a taxa de risco de pobreza em Portugal era de 17,9%, em 2016 estava ainda mais alta, nos 18,3%. Das 47 pessoas acompanhadas pelos investigadores, desde 2011, apenas duas conseguiram sair da “condição de pobreza”.

O estudo alerta, também, para a falta de articulação entre os dispositivos de assistência e as políticas de emprego, o que prejudica a integração social de quem está em situação de pobreza.

“A ação dos dispositivos de assistência parece estar insuficientemente articulada com as políticas de emprego, e consequentemente para uma intervenção mais generativa, capaz de promover um processo de reintegração social e autonomização, que vá para além da emergência social”, refere.

Em relação ao tipo de trabalho que os portugueses conseguem, Portugal tem a maior taxa, da União Europeia, de empregados a tempo parcial com o ensino básico, são 55,4%, mais do dobro da média da União Europeia (27,3%). São também os portugueses com o ensino básico que têm a taxa mais alta de “‘desencorajados’, apesar de estarem disponíveis para trabalhar”: 66,7%, contra os 45,2% de média da União Europeia.

Para quem está em situação de pobreza e vive nos bairros históricos de Lisboa, o aumento do turismo não ajuda. “Arrendar uma habitação no mercado privado tornou-se praticamente impossível, dada a crescente procura de habitações para o arrendamento turístico”, aponta o estudo.

O recurso a cuidadores informais e a redes de apoio informal é, muitas vezes, o principal apoio para quem está nestas situações de pobreza, mas, alerta a investigação, trata-se de uma situação prejudicial para os envolvidos.

“O importante papel social que assumem [os cuidadores informais] no seio das famílias no cuidado a pessoas dependentes repercute-se no seu empobrecimento, no curto e longo prazo, e na redução dos custos para o Estado, nomeadamente relativos à sua institucionalização ou à prestação de cuidados formais no domicílio, mas também no valor futuro das pensões de velhice, dada a curta carreira contributiva”.

O livro “Trânsito condicionado”, que será apresentado na terça-feira, foi elaborado em parceria com o DINÂMIA’CET — Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território (ISCTE-IUL), e faz, a partir de um trabalho de campo realizado desde 2011, um retrato qualitativo da pobreza na capital. O estudo terá final em 2020 e vai continuar a acompanhar o mesmo grupo de pessoas, nos próximos anos.

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