Emprego caiu três vezes mais do que o desemprego

Pedro Mota Soares e Pedro Passos Coelho
Pedro Mota Soares e Pedro Passos Coelho

Há menos portugueses a entrarem para as estatísticas. Ou porque emigraram, ou porque estão em formação ou porque simplesmente deixaram de procurar trabalho. E este foi o maior contributo para a queda do desemprego em Portugal no terceiro trimestre.

Veja também: Como evoluiu o desemprego jovem desde 2011

A redução da população ativa, que conta agora com 5392,2 milhões pessoas levou a que no terceiro trimestre, a taxa de desemprego caísse pela segunda vez consecutiva, desta vez para o valor mais baixo observado em mais de um ano.

Veja também: O desemprego nas 7 regiões do país

“Quando vemos que no ano passado emigraram 120 mil pessoas, só podemos pensar que a redução do desemprego se fica a dever a isso”, afirma José Silva Lopes, antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva. O economista não esconde que “a economia portuguesa melhorou um bocadinho”, mas não tem dúvidas de que a taxa de 15,6% anunciada ontem pelo INE (Instituto Nacional de Estatísticas) comporta “o efeito da emigração e do desencorajamento daqueles que já estão há tanto tempo no desemprego que deixaram de tentar arranjar emprego”.

De facto, no terceiro trimestre deste ano foram registados menos 34,3 mil portugueses desempregados, mas o número de postos de trabalho destruídos nestes três meses foi bem maior: entre julho e setembro perderam emprego 102,7 mil portugueses, face ao verificado no ano anterior.

E os jovens deverão estar a dar o maior contributo para este fenómeno, já que neste período o número de portugueses entre os 18 e 25 anos desempregados aumentou (mais 6,2 mil que no trimestre anterior ); o número de pessoas empregadas nesta faixa etária caiu (menos 22,1 mil face ao trimestre anterior); e a taxa de desemprego, mesmo assim, reduziu-se (menos 1,1 pontos).

Mas sem dados exactos das saídas de Portugal e com as entradas noutros países muitas vezes feitas por estimativa, é difícil perceber o peso da emigração, lembra Filipa Pinho, investigadora do Observatório da Emigração.

O que é facto é que entre julho e setembro deste ano, foi registada a melhor taxa de desemprego desde o segundo trimestre de 2012. Os 15,6% reportados pelo INE é 0,2 pontos inferior ao do trimestre homólogo, quando se registou 15,8% de taxa de desemprego, e 0,8 pontos abaixo do verificado no segundo trimestre – esta redução não bate, contudo, a queda de 1,3 pontos registada do primeiro para o segundo trimestre deste ano. Estima-se assim que entre julho e setembro estivessem sem emprego 838,6 mil portugueses. São menos 32,3 mil pessoas (-7%) que no período homólogo e menos 47,4 mil pessoas (-5,3%) que no trimestre anterior.

Apesar da redução da taxa de desemprego, a destruição de postos de trabalho mantêm-se, com o INE a calcular menos 102,7 mil pessoas a trabalhar, neste período, em comparação com o ano anterior. Face ao segundo trimestre já houve criação de emprego, com a inclusão de mais 48 mil pessoas (+1,1%) no mercado de trabalho.

No entanto, se aos desempregados se juntar o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego mas não disponíveis e os inativos disponíveis que não procuram emprego encontra-se uma taxa de desemprego real de 26,5%, ou seja mais de um quarto dos trabalhadores ativos.

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