Trabalho

Emprego dos jovens que acabaram agora o curso regressa a níveis pré-troika

Fotografia: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens
Fotografia: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens

Segundo dados do Eurostat, em Portugal, em 2017, quase 81% conseguiu emprego. Na Alemanha, nível de concretização está em 91%.

O nível de emprego dos jovens que, em Portugal, acabaram recentemente cursos de grau mais elevado — secundário do 10º ao 12º ano, pós-secundário e ensino superior — regressou aos valores pré-troika, mas continua a ser um dos mais baixos da Europa, indicam dados do Eurostat.

Segundo os números oficiais, em 2017, 80,7% desses indivíduos (com idades dos 20 aos 34 anos e que acabaram o respetivo curso há três anos, no máximo) conseguiram arranjar emprego. Trata-se de uma proporção que está ao nível de 2010 (80,6%), último ano antes da bancarrota e do início do programa de ajustamento da troika.

Esta taxa de empregabilidade dos jovens com cursos mais avançados (licenciaturas e não só), que no fundo acaba por ser um indicador que também ajuda a medir o retorno do investimento em qualificações, está a subir desde 2012, ano em que atingiu o valor mais baixo da série do Eurostat. Nessa altura, a taxa de emprego deste grupo de pessoas atingiu um mínimo de 67,5%.

A recuperação nos níveis de empregabilidade assente em qualificações mais altas não é um exclusivo de Portugal, claro. Isso aconteceu em todos os países europeus.

Em termos comparativos, Portugal, embora esteja ligeiramente acima da média da União Europeia, continua a ter das empregabilidades mais baixas entre os tais jovens mais qualificados que acabaram o curso há três anos ou menos.

A média da UE está nos 80,2%. Portugal está em 18º lugar no grupo dos 28 da união. Em termos de empregabilidade, está atrás de concorrentes diretos do leste europeu, como Eslovénia, Estónia ou Eslováquia.

Os países com maiores taxas de sucesso na obtenção de emprego são Malta (94,5%), Alemanha (90,9%) e Holanda (90,4%).

No fundo da tabela, Croácia (65,9%), Itália (55,2%) e Grécia (52%).

“Nível de escolaridade assume um papel crucial”

Fonte da Comissão Europeia congratula-se com o facto de “em 2017, mais de 80% dos graduados recentes na União Europeia estarem empregados” e de este ser “o quarto ano consecutivo de aumento” na taxa de emprego deste grupo de pessoas. “Reverteu-se a descida observada entre 2008 e 2013”

A mesma fonte explica que “os graduados recentes são pessoas com idades dos 20 aos 34 anos, que não estão a receber educação ou formação, e que completaram os seus estudos há três anos no máximo”. “O nível de escolaridade considerado é, pelo menos, o secundário superior [10º a 12º anos], o que também inclui o ensino superior”.

“Quando estes graduados recentes estão à procura de trabalho, o seu nível de escolaridade assume um papel crucial”, observam os peritos da Comissão. Isto é, a nível europeu, “as taxas de emprego para quem concluiu graus do ensino superior foi de 85% em 2017, ao passo que a mesma taxa para quem concluiu graus de ensino vocacional (secundário e pós secundário) foi de 77%”.

Já a empregabilidade de quem apenas cumpriu o ensino secundário e pós secundário geral (sem vertente vocacional, logo não especializado) “foi consideravelmente mais baixa”, cerca de 64% ao nível da UE.

A Portugal acontece o mesmo. Quanto mais elevado o nível de escolarização, mais alta a taxa de emprego destes jovens com 20 a 34 anos que terminaram o curso há três anos, no máximo.

Como já referido, 80,7% arranjou emprego quando se considera o grupo onde estão as pessoas com ensino superior. Quando se expurga os licenciados, mas se considera o ensino secundário e pós-secundário com vertentes vocacionais, a taxa reduz-se ligeiramente, para 78,9%, ainda assim elevada.

Já no grupo dos jovens com curso secundário ou pós secundário simples, genérico, a taxa de emprego baixa para 73,2% em 2017, indicam as bases de dados do Eurostat.

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