Função Pública

Emprego no Estado com maior aumento desde a chegada da troika

Integração de precários fez disparar o número de funcionários públicos para mais de 690 mil. Salários mais baixos estão a encolher ganhos médios.

No final de março trabalhavam no Estado 690 079 pessoas. É o valor mais elevado desde 2013 e representa uma subida recorde de 2,3% face ao primeiro trimestre do ano passado. É também o ritmo mais alto da série que começou a ser compilada em 2011, o ano da chegada da troika.

A Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP) explica este aumento “em grande parte” com a admissão de trabalhadores no âmbito do programa de regularização dos vínculos precários, “em particular nas carreiras de assistente operacional, assistente técnico e técnico superior”.

A integração de precários ainda não acabou e fará engrossar mais o número de funcionários públicos, uma vez que o ministro das Finanças referiu no mês passado, no Parlamento, que tinham sido aprovados mais de 16 mil processos.

Em comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o Estado ganhou, num ano, mais
15 690 trabalhadores.

 

Educação e Saúde com mais entradas

Comparando com os últimos três meses de 2018, até 31 de março, o número de funcionários públicos aumentou em quase 6500, uma subida de 1%. Os Ministérios da Ciência e Ensino Superior e da Educação foram os que mais contribuíram com um aumento de 2826 postos de trabalho, “essencialmente docentes dos diferentes níveis de ensino e pessoal de investigação científica”, justifica a DGAEP.

Mas também houve subidas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde: mais 1871, “a maioria diz respeito a novos contratos a termo de médicos que iniciaram o internato em centros hospitalares”.

Salários baixos dos novos trabalhadores encolhem ganhos mensais

Apesar do descongelamento de todas as carreiras e da atualização do salário mínimo nacional, a DGAEP nota “uma diminuição da remuneração base mensal num conjunto de carreiras” justificada com a entrada de novos trabalhadores que começam na base salarial, fazendo com que os ganhos sejam puxados para baixo.

Em janeiro, o valor da remuneração base média mensal dos trabalhadores do Estado era de cerca de 1478,6 euros, um aumento médio de 0,7% face a outubro de 2018 e uma subida homóloga de 0,8%.
O ganho médio mensal (que engloba subsídios e suplementos) chegou aos 1728,3 euros, “indiciando uma variação global no trimestre de 0,6% e uma variação homóloga de 1,2%”.

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