Agricultura

Empresa de Macau aposta em exportação de gado e regadio do Alentejo

Monte do Pasto. Fotografia: D.R.
Monte do Pasto. Fotografia: D.R.

Compra de Monte do Pasto é investimento de 40 milhões de euros que pode crescer em, pelo menos, mais 10 ou 15 milhões nos próximos anos.

Os investidores na casa agrícola Monte do Pasto, adquirida pela empresa de Macau CESL Ásia numa compra formalizada esta semana, planeiam alargar o investimento nos próximos anos num valor que, no mínimo, deverá ficar em mais entre 10 a 15 milhões de euros.

“Nos próximos quatro, cinco anos, o Monte do Pasto vai gerar pelo menos 10, 15 milhões de investimento”, indica António Trindade, presidente da CESL Ásia, empresa com origem no grupo português de engenharia CESL, que passou pelas mãos da Somague e que tem hoje como um dos principais acionistas Dominic Sio, empresário e político de Macau, assim como acionistas portugueses.

A compra das nove herdades localizadas nas zonas de Alvito e Cuba, numa área de 3700 hectares, representou um investimento avaliado em 40 milhões de euros, incluindo o pagamento de dívida que se encontrava no fundo de resolução do Novo Banco e de uma participação de 16% que o banco detinha também via fundo de capital de risco PME Growth.

O Monte do Pasto, que se encontrava até aqui em processo de reestruturação, vai manter os atuais 60 funcionários que tem no Alentejo e a atual administração liderada pela empresária Clara Moura Guedes, que assumiu a reestruturação do projeto em 2014, no limite de vida do ex-Banco Espírito Santo.

Para António Ramalho, presidente do Novo Banco, a passagem para as mãos de novos investidores cinco anos depois “é uma prova que o trabalho de restruturação e recuperação que foi encetado pelo banco foi bem sucedido”.

“Como financiadores estamos muito satisfeitos pelo facto de estarmos perante uma empresa hoje saudável, que é muito importante para o ecossistema da região, Alvito e Cuba. Corresponde também a um conjunto, na cadeia de valor, de mais de 100 fornecedores. É um importante suporte para o desenvolvimento de todo o gado bovino na região”.

O gestor do Novo Banco foi um dos presentes, ontem, na cerimónia de formalização do negócio que contou também com a presença de um membro do governo de Macau, o secretário para a Economia e Finanças Lionel Leong, e de Ip Sio Kai, o presidente da sucursal de Macau do Banco da China, que financiou a compra.

Como chegou antes a Macau, o nome do grupo CESL volta agora a Portugal com capital chinês e a expandir uma área de atuação que estava até aqui sobretudo concentrada nos serviços de consultoria em engenharia ambiental. São entretanto vários os investimentos na produção de energias renováveis em Portugal, com três centrais fotovoltaicas a sul do país adquiridas ao longo dos últimos anos. A empresa constituiu, incluisvamente, um veículo próprio para atuar em Portugal, ao qual deu o nome Focus Platform.

No Monte do Pasto, espera atingir nos próximos dois anos um volume de negócios anual na ordem dos 30 milhões de euros, que representa mais cinco milhões de vendas que a produção atual.

A aposta vai ser feita para já na abertura de novos mercados para exportação de carne de vaca. Atualmente, 90% da produção atual é dirigida a Israel, Argélia, Marrocos, Tunísia e Palestina, mas será possível crescer para a Ásia num momento em que o Ministério da Agricultura terá já iniciado diligências junto da China para a abertura do mercado chinês carne bovina portuguesa com origem em Portugal, segundo a administradora Clara Moura Guedes.

“Vamos continuar, mas, seguramente, vamos diversificar. Abrem-se perspetivas com esta ligação a outros mercados”, defende.

A CESL Ásia também não põe de parte a produção de porcos, cujas vendas para a China estão a crescer devido à peste suína no país, embora admita que a capacidade portuguesa é limitada para a procura no país asiático.

Por outro lado, a exploração encontra-se dentro do perímetro da segunda fase de expansão do Alqueva, devendo dentro de um ano beneficiar de nova área de rega que lhe permitirá iniciar novas culturas além do pasto para o gado e de alguma produção de milho para alimentação animal. “Em princípio, está previsto que no próximo ano tenhamos mais mil hectares de regadio”, informa a administradora, que dá o exemplo dos frutos secos como uma das culturas possíveis.

A casa agrícola é responsável por 10% da produção nacional de vacas e bois, engordando raças charolesa, limousine e angus e apresentando-se como a maior criadora de bovinos ao ar livre na península ibérica.

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