Coronavírus

Empresários e cientistas pedem aposta estratégica na ciência e inovação

Investigação. Fotografia: Scott Olson / Getty Images/AFP
Investigação. Fotografia: Scott Olson / Getty Images/AFP

Manifesto entregue ao primeiro-ministro é assinado por 100 cientistas e empresários, entre os quais estão os líderes da Galp, Sonae, Corticeira Amorim e Jerónimo Martins

Cientistas, empresários e gestores pediram, esta quinta-feira, ao Governo para que defina urgentemente “estratégias visionárias” de desenvolvimento económico e social alicerçadas “numa forte aposta em ciência e inovação”, considerando que a investigação deve ser uma das prioridades em Portugal.

Num manifesto, que foi enviado ao primeiro-ministro, António Costa, 50 cientistas e outros tantos empresários e gestores defendem uma tomada de posição urgente para relançar o futuro de Portugal. Entre a centena de signatários estão os presidentes da Bial, Corticeira Amorim, CTT, Frulact, Galp, Jerónimo Martins, NOS, Renova, Teixeira Duarte, TMG ou Sonae, entre muitos outros, a par de investigadores vários das universidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Nova, Minho ou Algarve. E que defendem que “garantir mecanismos financeiros e de cooperação entre setor público e privado permitirá a Portugal assumir uma posição de liderança e um forte contributo para o aumento de competitividade na Europa”.

“No momento em que, no Conselho Europeu, decorrem as negociações para a definição do orçamento do Programa Quadro Europeu (Horizonte Europa, 2021-2027), já com um possível corte de cinco mil milhões de euros, e em que em Portugal será debatido o Plano de Recuperação Económica e Social (2020-2030), no Conselho de Ministros de dia 17 e 18 de Julho, é urgente uma tomada de posição assente em estratégias que coloquem a investigação e a inovação nas prioridades nacionais e europeias”, refere o manifesto.

Para os signatários, a ciência e a inovação ocupam “um espaço imprescindível e determinante na sociedade, nomeadamente na identificação de soluções para emergências em saúde pública, na definição de estratégias de resposta, na determinação das políticas públicas necessárias ou ainda nos modelos de negócio existentes”.

Os cientistas e os empresários consideram que a pandemia de covid-19 “trouxe para a ribalta uma verdade conhecida, mas muitas vezes esquecida”, tendo a posição assumida por Portugal no combate um “resultado do investimento e produção de conhecimento dos últimos 30 anos”.

Os signatários sustentam que em tempo recorde houve mobilização, reorganização na produção de conhecimento, nos métodos de diagnóstico e na utilização de equipamentos indispensáveis à luta contra a pandemia.

O manifesto entregue ao primeiro-ministro aponta uma estratégia consolidada em torno de três pilares fundamentais, designadamente “uma visão para o futuro, a cooperação entre público e privado e o reforço do investimento em inovação”.

O documento realça a necessidade de visão estratégica de longo prazo, defendendo que “só uma investigação fundamental de qualidade permitirá criar conhecimento e ferramentas para fazer face aos desafios futuros e imprimir a concretização das nossas aspirações”.

Os signatários defendem também a cooperação entre público e privado, com uma aposta conjunta na investigação e inovação ao longo da cadeia de valor e sua integração na sociedade e economia nacionais, sendo necessário “maior investimento a longo prazo em recursos humanos excelentes, ecossistemas e infraestruturas tecnológicas das universidades, politécnicos, institutos de investigação e empresas”.

Os cientistas e os empresários consideram que é também necessário “investir na ligação da indústria nacional e internacional à investigação e inovação e assegurar uma maior articulação e coordenação entre instituições nacionais e internacionais, antecipando cenários e melhorando a resposta conjunta a desafios globais”.

Para tal, segundo o manifesto, é necessário um reforço orçamental que permita destacar Portugal e a Europa a nível mundial, potenciando a competitividade e o emprego.

Os signatários sustentam ainda que Portugal e os seus parceiros devem apoiar um investimento em investigação e inovação forte, seja através do quadro financeiro plurianual, seja através do Plano de Recuperação Económica e Social, devendo o orçamento europeu complementar o investimento de base nacional.

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