Brexit

Empresas britânicas estão de olho em Portugal

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Luís Castro Henriques, presidente da AICEP. Fotografia: REUTERS/Rafael Marchante

Luís Castro Henriques, presidente da AICEP, acredita que empresas portuguesas vão conseguir adaptar-se à nova realidade pós-brexit, mesmo sem acordo

Que impacto espera para as empresas portuguesas? Estamos preparados para o chamado hard brexit?

É prematuro falar sobre as consequências para as empresas portuguesas, uma vez que ainda está muita poeira no ar, mas é importante que as empresas tenham um plano de diversificação de mercados, como tenho vindo a dizer, nomeadamente para mercados com o mesmo tipo de consumo, como os EUA e o Canadá. O Reino Unido é o quarto mercado das exportações portuguesas de bens e o primeiro mercado de exportações de serviços, importando analisar os vários cenários estimados para o desenlace das negociações, sobretudo no que diz respeito às implicações aduaneiras e pautais, mas também no que diz respeito às barreiras não alfandegárias. As empresas portuguesas terão de se adaptar a uma nova realidade e, dada a sua qualidade e competitividade, estou confiante de que o vão conseguir.

Em que medida a AICEP se preparou para este cenário de uma saída sem acordo?

A AICEP, em Portugal e através da delegação em Londres, tem vindo a trabalhar no sentido de apoiar as empresas portuguesas, esclarecer consistentemente todas as suas dúvidas e questões, aconselhando-as a ter um plano de diversificação. As linhas de apoio à internacionalização de que a AICEP dispõe, através dos fundos do Portugal 2020, podem servir para esse fim. Para apoiar as empresas exportadoras neste esforço de adaptação e informá-las sobre os possíveis impactos do brexit, a AICEP, juntamente com uma série de parceiros que reúne representantes de três ministérios (Finanças, Economia e Negócios Estrangeiros) e a CIP, iniciou um roadshow pelo país. Até à data, houve duas edições generalistas no Porto e em Lisboa e, posteriormente, edições setoriais em Leiria, no Porto e em Aveiro.

Em relação ao investimento direto estrangeiro do Reino Unido em Portugal, que diligências estão em curso com os investidores? Como vai a AICEP explorar eventuais vantagens desta saída?

O Reino Unido é um investidor relevante para Portugal. Sabemos que existem, na sequência do brexit, intenções de investimento de empresas de origem britânica e outras, e a AICEP está atenta e tem acompanhado estes targets de forma muito segmentada. É cedo para prever quais serão as tendências do investimento inglês em Portugal, mas a AICEP tem vindo a trabalhar diariamente na divulgação dos fatores competitivos de Portugal. Temos feito várias ações de larga escala no Reino Unido que têm tido um feedback muito positivo. Neste ano vamos continuar a reforçar a nossa campanha de promoção e estamos em crer que as competências tecnológicas, linguísticas e a qualidade do talento que Portugal oferece serão incluídas nas análises de investimento de alguns setores de atividade.

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