Barómetro Kaizen

Empresas confiantes na economia e na dinâmica das exportações

Indústria do calçado Fotografia: Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens
Indústria do calçado Fotografia: Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

O nível de confiança dos empresários na economia subiu para 12,1 no espaço de um ano.

As exportações portuguesas vão manter-se este ano em níveis semelhantes aos registados em 2019 ou até aumentar. Das mais de 200 empresas ouvidas no Barómetro Kaizen 2020, universo que representa 35% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, apenas 5% admite que as vendas ao exterior possam sofrer uma queda face ao ano passado. A maioria das inquiridas (52%) aponta para um nível idêntico ao de 2019, 20% para um crescimento acima dos 10% e 23% para um aumento inferior a 10%.

O relatório, que analisa todos os semestres a opinião dos gestores portugueses sobre o desempenho da economia, dá sinais de otimismo, embora moderado, apesar das incertezas a nível mundial, a última das quais o inesperado surto do coronavírus. Para António Costa, sénior partner do Kaizen Institute Western Europe, “em casa roubada tranca nas portas”. E, por isso, “grande parte das empresas que se escaldou na última grande crise tem agora estratégias que lhes permite passar pelo impacto de uma nova crise sem os sobressaltos anteriores”.

O barómetro, baseado em 14 questões colocadas na primeira semana de fevereiro a mais de 200 CEO e administradores de empresas, revela que a maioria deste universo empresarial cumpriu (47%) ou até ultrapassou (22%) os objetivos de negócio propostos para 2019. E as perspetivas ao nível do EBITDA (resultados gerado pelas empresas antes da dedução de impostos e amortizações) são crescentes (52%) ou estáveis (38%). Ainda assim o nível de confiança dos empresários na economia nacional subiu de 12 para 12,1 (quando desafiados a dar uma nota de zero a 20) num espaço de um ano.

Dois lados da moeda
O Luanda Leaks é uma matéria que divide os empresários. Segundo o barómetro, 39% das empresas considera que há um impacto negativo na imagem de Angola enquanto parceiro de negócios, mas 32% vê a investigação como um campo de oportunidades, admitindo que tem um impacto positivo.

Sobre a atual política económica do Governo, 65% dos inquiridos concorda com a opção do Executivo em trabalhar para a contabilização de um excedente orçamental e 35% mostra-se contra. Dos que estão em oposição com esta opção, 41% considera que esse objetivo deveria ser secundarizado em favor de um aumento em infraestruturas e serviços para tornar o país mais competitivo. Para 54% dos empresários, o Governo vai ficar refém das exigências dos vários partidos e isso irá comprometer decisões sobre reformas estruturais.

Pelo Green deal
No barómetro, as empresas dão mostras de estarem comprometidas com o Pacto Ecológico Europeu (Green Deal), ou seja, em diminuir o seu impacto no clima para neutral até 2050. O recurso à utilização de energias renováveis, a promoção de uma economia circular, a melhoria do desempenho energético dos edifícios e a redução da utilização dos plásticos são as principais medidas que as empresas vão colocar em prática para reduzir a sua pegada ecológica.

A digitalização da economia parece não estar a dar os frutos esperados. O investimento nesta área tem impacto moderado para 66% das empresas inquiridas e nulo para 6%. Apenas 22% reconhece uma importância elevada.

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