Empresas crescem à boleia das compras online em tempo de pandemia

Fecho da economia empurrou os clientes para as compras digitais mostrando ao consumidor que poderia ter confiança neste novo canal. Empresas como a Delta ou a PC Componentes referem que o mês de abril revelou números nunca antes registados, tendo crescimentos a três dígitos nas encomendas online

Até ao início da pandemia e consequente lockdown da economia, apenas 3 a 4% das vendas a retalho em Portugal eram realizadas online, segundo dados recolhidos pelo Barómetro CTT e-commerce Covid-19. Este estudo revela que, até à primeira quinzena de março, cerca de 87% das compras realizadas online tinham origem em sites internacionais, como o E-bay, AliExpress e Amazon e que apenas 27% das empresas presentes na internet (39%) realizavam vendas por este canal.

Porém, e se em 2018 o número de compradores digitais em Portugal era de 46%, as estimativas do Barómetro CTT, estudo apresentado por Alberto Pimenta, head of e-commerce da empresa CTT, durante a conferência e-commerce Moments, apontam para que, em 2025, esta percentagem atinja os 68 pontos. Este crescimento pode muito bem ter sido impulsionado pela pandemia de covid 19 que forçou muitos clientes, anteriormente pouco recetivos a este canal de vendas, a aventurarem-se pela primeira vez no comércio digital. A expectativa deste barómetro é que haja um incremento de 40 a 50% no e-commerce até ao final 2020.

Vários foram os testemunhos de empresas participantes no debate proporcionado pela CTT que demonstraram a importância que a fase de confinamento teve para o descolar das suas vendas à distância. “Penso que muitas das tendências de compra vieram para ficar. Claro que o ritmo de crescimento não será o mesmo, mas os clientes perceberam que era bom comprar online, que era mais fácil e mais cómodo”, refere Francisco Dias, head of e-commerce da Decathlon. “Adaptámo-nos rapidamente ao novo desafio: fizemos vendas à porta, recolha em loja, entregas em loja sem sair do carro, parcerias com a CTT e com a Auchan”, afirma o responsável.

Também a Delta, empresa do Grupo Nabeiro, registou um incrementou nas suas vendas remotas. Patrícia Santos, head of e-commerce, revela que a empresa disponibilizou online não só a sua gama de cafés como também alargou a todos os produtos do grupo, como vinhos, cervejas e chás. “Sentimos um aumento da procura, que atingiu um crescimento de 630% nas encomendas diárias. Foi o nosso melhor mês de abril neste canal”, afirma. Paulo Pinto, CEO da La Redoute, revelou que a multinacional, já com forte presença no canal digital, estava preparada para este desafio, e registou um considerável aumento de tráfego nesta fase, e “com elevado registo de novos clientes, completamente fora do estimado”.

Outra empresa a apresentar números recorde foi a PC Componentes, que atingiu na fase do confinamento um incremento de 225% dos pedidos online em Portugal e um crescimento de 185% da faturação. Alexandre Santos, country manager, explicou que a empresa apresentou um crescimento de 50% nos novos utilizadores, sendo que, para muitos deles, esta foi a sua primeira compra online, evidenciando mudanças nos hábitos de compra. Joana Pina Pereira, diretora de e-commerce da Worten, conta que a empresa já tinha assistido a um crescimento de 50% nas vendas online em janeiro e fevereiro e que as mesmas dispararam de forma vertiginosa a partir do estado de emergência.

E-commerce, uma tábua de salvação para pequenos negócios

No segundo painel, a questão debatida foi a forma como pode o e-commerce salvar as pequenas empresa e Gaspar D’Orey, CEO da Dott, marketplace impulsionado pela CTT e pela Sonae, refere a propósito que a missão desta plataforma se tornou mais relevante após a pandemia de covid-19, pois foi possível incluir pequenos produtores no mundo digital. Refere que é importante que as empresas tenham vontade para estar no e-commerce e que o que se verificou agora, com o lockdown, é que estas sentiram a sua urgência por uma questão de sobrevivência. A parceria que a Dott estabeleceu com a CIM Coimbra foi, para Jorge Brito, secretário executivo, uma importante solução para os produtores da região escoarem os seus produtos, como foi o caso do queijo da Serra. Para isso foi realizada a primeira feira digital do queijo DOP, com o apoio do Ministério da Agricultura e que envolveu 12 produtores de queijo, quatro CIM e duas empresas. “É importante combater a iliteracia digital destes pequenos produtores, capacitá-los e ajudá-los a prepararem-se para estes desafios”, refere Jorge Brito.

Também Carla Oliveira, marketplace manager da Fnac Portugal, afirma que o marketplace da Fnac, com 60 milhões de visitas, é um ótimo palco para o comércio português, apoiando desta forma os produtores nacionais, que sem canais digitais, necessitaram urgentemente de manter o seu negócio ativo.

Sebastiaan Lehmmans, head da OLX Portugal, afirma que a pandemia envolveu números de E-Commerce que a empresa nunca antes alcançara mas avisa que o consumidor português não tem confiança nas compras online, situação que é necessário reverter. Andreia Grave, diretora de marketing da Espaço Casa, mostrou como a rede, que tem 53 lojas físicas em Portugal e 27 em Espanha, está a fazer com sucesso a sua transição para o e-commerce, e como teve rapidamente de reagir ao fecho das lojas físicas. A Espaço Casa conseguiu, entre fim de março e fim de maio vender quase 12 mil artigos online.

 

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