Design

Empresas portuguesas de mobiliário devem “casar” design e produção

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A indústria portuguesa deve "casar um bom design com boa produção"

A indústria portuguesa deve “casar um bom design com boa produção” para aumentar o valor das peças na área do mobiliário e decoração, defendeu hoje em Londres a secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehmann.

“A área do design tem de ser uma grande aposta da indústria portuguesa, porque o design permite criar um valor importante. Somos conhecidos por saber fabricar, mas é importante que apareçam marcas próprias e que apostem em designers”, disse Ana Teresa Lehmann à agência Lusa, durante uma visita à London Design Fair, onde participam cerca de 15 marcas portuguesas.

A secretária de Estado vincou que as fases mais rentáveis da cadeia de valor são as da concepção e design e da comercialização, e que a fase da produção não é a que incorpora mais valor, pelo que a indústria tem interesse em apostar no design para aumentar as receitas.

“É no fundo casarmos um bom design com boa produção e fazer peças com individualidade, com qualidade, e que tenham um valor acrescentado que permitam posicioná-las em segmentos de mercado exigentes e que possam singrar no mercado global”, resumiu.

Este modelo já é seguido por várias das marcas que participam no pavilhão nacional português, sob a chancela da Associative Design, uma entidade criada pela Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP) para promover o design português a nível internacional.

Aproveitando a experiência, o grupo Barmat, especializado no trabalho de pedras para uso em mosaicos ou bancadas, lançou a marca OIA no ano passado com uma linha de mesas de jantar e de apoio que foram premiadas internacionalmente.

Atualmente já vende para 35 países e as receitas deverão contribuir para duplicar este ano o volume de negócios do grupo, que em 2017 se ficou pelos 1,2 milhões de euros, adiantou a responsável pelas vendas de exportação, Patrícia Lemos.

Outro exemplo é a Magna Natura, uma marca de peças de mobiliário que usa a cortiça como elemento principal e que foi criada há quatro anos por Isabel Silva, cuja família tinha há décadas uma empresa de extração e transformação de cortiça para a produção de rolhas.

“Temos uma linha para uso doméstico e outra para ambientes profissionais, como escritórios e hotéis. Tem um grande potencial porque todas as peças são únicas”, vincou o responsável pela unidade, Américo Magalhães.

O pavilhão The Best of Portugal, promovido pela Associative Design, colocou em evidência peças que usam recursos nacionais como a cortiça, madeira e mármore, em peças para a sala de estar, sala de jantar, cozinha e escritório.

Além da OIA e Magna Natura, estão presentes a Mokki, Corque Design, Daao Concept, Emotional Brands, Johema, MBN Tailor, Mister Doe, Nauu Design, Salma Furniture e Wewood.

A expor individualmente está a AROUNDtheTREE, marca de mobiliário criada há cinco anos com uma cadeira que é uma reinterpretação em madeira daquela criada em ferro por Gonçalo Rodrigues dos Santos nos anos 1950 e usada nas esplanadas em Portugal.

Atualmente com uma coleção que inclui secretárias e mesas que venda maioritariamente fora de Portugal, a AROUNDtheTREE alcançou em 2017 um volume de negócios de 400 mil euros, adiantou a co-fundadora, Soraia Rangel.

De acordo com o presidente da AIMMP, Vítor Poças, as indústrias de mobiliário e madeira exportaram 2,43 mil milhões de euros em 2017, dos quais 192 milhões para o Reino Unido.

Só no primeiro semestre, as exportações destes dois setores já acumularam 102 milhões de euros.

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