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Empresas portuguesas perderam a vergonha do ‘ponto PT’

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Empresas portuguesas perderam a vergonha do ‘ponto PT’

O número de sites registados no domínio de topo nacional bateu recordes no ano passado. Economia e turismo ajudam a explicar

À distância de um clique há uma economia a crescer. O país que abriu as portas a Madonna e à nova Lara Croft saiu da crise de cara lavada e quer anunciá-lo ao mundo. A começar pelo digital. Nunca a criação de sites terminados em .pt foi tão acelerada. O quem tem isto que ver com o PIB? Tudo.

“Ao acelerar a economia, acelera também a criação de empresas e, consequentemente, a sua presença online, porque hoje uma empresa que não está na internet não existe”, explica ao Dinheiro Vivo Luísa Gueifão, presidente da Associação DNS.PT, a entidade privada que gere o domínio .pt.

Só em janeiro, foram registados perto de 10 700 domínios a remeter para Portugal. “Foi o melhor janeiro de sempre”, revela a responsável. O ano que passou já tinha batido recordes, com mais de cem mil domínios registados. Face a 2016, o crescimento foi de 14%, quando a média europeia não chega aos 3%. Há cinco anos que Portugal não sai do top 5 dos países do Velho Continente com mais domínios registados.

“Portugal está na moda e o .pt significa que se está em Portugal. Aquela coisa de nos escondermos atrás de um domínio que não revela o país de origem, como é o caso do .com, o .org ou o .info, e que acontece pela vergonha que se tem do próprio país, está a começar a desaparecer. Temos noção de que a maior parte dos registos feitos nos últimos anos foram de empresas, principalmente de PME ligadas ao comércio. O turismo foi sem dúvida um dos setores em que o número de registos mais cresceu”, sublinha Luísa Gueifão.

Apesar do crescimento em flecha do indicador nacional, a terminação .com continua a ser a mais escolhida pelos portugueses na hora de registar uma morada na web. “Dá a ideia de que é mais internacional”, admite a responsável. Uma das missões da DNS.PT passa por inverter esta tendência.

Nos últimos anos a associação gastou mais de três milhões de euros a renovar a infraestrutura técnica que tem espalhada por todo o mundo.

O objetivo é convencer os utilizadores de que a marca Portugal não é só mais apelativa como também mais segura. “Temos um sistema de recuperação que funciona caso haja um desastre no sistema principal, e temos também um sistema de backup, e está tudo distribuído geograficamente. Temos feito uma aposta muito grande na parte técnica e na segurança e as pessoas valorizam isso.”

Além de garantir que as máquinas não entram em curto-circuito, a DNS.PT também tem como dever assegurar que os humanos sabem interagir com elas. E é aqui que o sistema vai abaixo. As estatísticas mais recentes revelam que cerca de 30% dos portugueses nunca acederam à internet. “E, entre os que acedem, a maior parte ainda faz uma utilização muito básica”, sublinha Luísa Gueifão. Ou seja? “Só utilizam para ir ao Facebook e mandar um e-mail.”

Registar um domínio .pt custa 22 euros por ano. A responsável explica que as receitas geradas são utilizadas em “ações de desenvolvimento da internet em Portugal”, com foco nas escolas. O plano de trabalhos da DNS.PT para 2018 prevê a aplicação de meio milhão de euros em iniciativas que pretendem pôr online o maior número possível de cidadãos.

E garantir que aqueles que já estão na rede avançam para o próximo nível. “É preciso que usem serviços como pagar contas, aceder ao banco, dar leituras de água ou luz. No fundo, dar uso às aplicações que facilitam o dia-a-dia. É uma questão geracional que se vai resolver com o tempo. Mas há uma parte que podemos resolver já. Quem está excluído da internet costuma estar excluído de tudo. São as pessoas que têm menos recursos, os que estão no interior, os mais velhos e menos letrados. Aqui podemos agir”, afirma Luísa Gueifão.

A missão de imprimir a pegada de Portugal na internet vai atingir neste ano um marco importante. Faltam menos de dez mil registos no domínio .pt para que seja criado o site um milhão. Para o utilizador contemplado está reservada uma surpresa, adianta Luísa Gueifão. “Terá uma visibilidade especial.” Há dez anos, o número de registos no domínio de topo da internet em Portugal não chegava a 250 mil.

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