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Empréstimos do BEI para fazer grandes obras em Portugal mais do que duplicaram

Barragem. Fotografia: Artur Machado/Global Imagens
Barragem. Fotografia: Artur Machado/Global Imagens

Valor emprestado a Portugal em 2018 “foi o equivalente a 1% do produto interno bruto (PIB) português”, sublinhou Emma Navarro, vice-presidente do BEI.

“Portugal é dos poucos países onde o financiamento do grupo Banco Europeu de Investimento (BEI) cresceu em 2018”, afirmou Emma Navarro, vice-presidente da instituição que veio a Lisboa apresentar o balanço da atividade do BEI relativo ao ano passado. O dinheiro canalizado para a construção de infraestruturas grandes, como barragens, foi decisivo: mais do que duplicou.

Em 2018, “o valor em novos financiamentos a projetos em Portugal ascendeu a 1979 milhões de euros”, o que equivale a um aumento de 4% face a 2017. É o segundo ano seguido de aumento. Em 2017, o reforço no volume de empréstimos do grupo BEI tinha rondado os 7%. Em 2016, o financiamento do grupo BEI tinha caído quase 3%, mas porque o ano de 2015, o primeiro fora da crise e do programa de austeridade, foi marcado por um salto de 26% nas verbas recebidas.

Desde o final da crise, em 2014, o grupo BEI aumentou “os empréstimos concedidos a Portugal em 36%”, contabilizou a dirigente da instituição.

Este crédito chega depois às empresas portuguesas através dos bancos retalhistas presentes no mercado, já que o BEI é um banco grossista.

As verbas ajudaram a erguer 26 projetos em 2018, disse a responsável, num encontro com jornalistas, esta sexta-feira. Trata-se de dinheiro barato. As taxas de juro dos empréstimos concedidos com dinheiro do BEI são muito baixas uma vez que este banco europeu não tem uma missão comercial.

Sendo uma instituição europeia participada pelos Estados membros da União, o BEI tem um rating máximo, pelo que ele próprio tem custos de financiamento próximos de zero, atualmente.

O valor emprestado a Portugal em 2018 “foi o equivalente a 1% do produto interno bruto (PIB) português”, sublinhou Emma Navarro.

Dos referidos 1979 milhões de euros injetados em 2018, 904 milhões foram diretamente para financiar pequenos projetos e atividades de pequenas e médias empresas (PME); a segunda maior fatia, 499 milhões de euros, foi para pagar a construção de infraestruturas; 503 milhões foram dedicados a projetos que visam melhorar o ambiente e combater as mudanças climáticas e 73 milhões foram canalizados para projetos de inovação, enumerou Navarro.

A vice-presidente referiu ainda que 2018 foi marcado por “um aumento do financiamento para apoiar infraestruturas hídricas e energéticas”. Esse financiamento, que como referido ascendeu a 499 milhões de euros no ano passado, cresceu mais de 118%, “mais do que duplicou” congratulou-se a responsável.

Por exemplo, atualmente, o BEI está a financiar a construção de três novas barragens “de grandes dimensões” nos ritos Tâmega e Torno, no norte do país.

PME

Os 904 milhões de euros dirigidos a PME permitiram capitalizar estas empresas e manter muitos postos de trabalho. Cada pequena empresa terá recebido uma média de 216 mil euros do BEI no ano passado.

Ao todo, o BEI emprestou dinheiro barato a 3950 PME, “permitindo preservar 153 mil postos de trabalho”, contabilizou a dirigente da instituição.

Em jeito de balanço, Emma Navarro sublinhou que “Portugal foi um dos três países da União Europeia que mais apoio financeiro recebeu do grupo BEI em percentagem do PIB”. Portugal é terceiro. O ranking é liderado pela Grécia e Estónia.

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