combustíveis aditivados

Encher um depósito de gasolina já custa mais 10 euros

Novo aumento dos combustíveis
Novo aumento dos combustíveis

Se está a fazer as malas para ir de férias, prepare-se - encher o depósito do seu carro de gasolina (45 litros) vai custar hoje mais 10 euros do que no início do ano. Ou quase seis euros mais, se o carro for a gasóleo. É que, desde janeiro, o preço dos combustíveis tem vindo a subir, com a gasolina 95 a registar um agravamento de quase 17% e o gasóleo de 11,5%. A culpa não é só da subida do petróleo; os impostos também aumentaram.

Em média, o preço da gasolina está hoje 22 cêntimos mais elevado do que em janeiro, ou seja, 1,54 euros por litro. E a gasolina subirá mais um ou dois cêntimos já a partir de amanhã. O gasóleo deverá manter-se inalterado nos 1,27 euros, mesmo assim 13 cêntimos mais caro do que no arranque do ano.

António Comprido, secretário geral da Apetro (Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas), garante que “não vale a pena tentar encontrar causas estranhas que não existem” para explicar este aumento. E aponta o dedo à subida da carga fiscal em janeiro: a nova taxa do carbono, o aumento da contribuição do serviço rodoviário, mais a alteração aos biocombustíveis, a partir de fevereiro, não apenas para o gasóleo, mas também para a gasolina.

O resto, diz, “é o mercado a funcionar”, com as cotações à saída das refinarias de novo mais altas. “O petróleo esteve a 40 dólares, está hoje a 60 dólares, e há também o fator sazonalidade, já que o consumo de gasolina aumenta nos EUA com o verão, o que pressiona os preços nos mercados internacionais”, sublinha.

Dos 22 cêntimos a mais no preço da gasolina, uma fatia de 6,2 cêntimo resulta do aumento da carga fiscal , sendo 2,2 cêntimos referentes à incorporação dos biocombustíveis na gasolina, 1,5 cêntimos devem-se à fiscalidade verde e 2,5 cêntimos à contribuição para o serviços rodoviário. No caso do gasóleo, dos 13 cêntimos a mais que estamos a pagar, 5,6 cêntimos decorrem destas três parcelas em conjunto.

E há que não esquecer o efeito cambial. Há um ano, o euro valia 1,35 dólares e agora está a 1,12 dólares. O que é excelente para favorecer as exportações, tornando-as mais competitivas, mas pesa nas importações de crude.

Apesar da subida nos últimos meses, o preço dos combustíveis está ainda abaixo do valor praticado no mercado há um ano atrás. No caso da gasolina, o preço médio está 2% abaixo do homólogo e no gasóleo é ainda 3% inferior ao do ano passado. Basta ter em conta que, em junho de 2014, quando o petróleo superou em muito a barreira de 100 dólares o barril, o preço da gasolina 95 era de 1,56 euros o litro e o gasóleo estava nos 1,31 euros.

Quem não se contenta com estas explicações são os revendedores de combustíveis, que garantem estar nas mãos das petrolíferas. “Andamos no jogo das petrolíferas. Quando o crude desceu o dólar subiu… andamos sempre enrolados em muitas histórias”, diz João Durão.

O problema, para o presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec), está nos combustíveis simples. “Todos nós tivemos que fazer um esforço para cumprir a lei, no entanto quem está a ganhar dinheiro como nunca são as companhias, a Galp, a Repsol, a BP e a Cepsa, e os hipermercados que estão a vender como nunca”. Porquê? “Tudo porque passaram a mensagem que os combustíveis aditivados são melhores, quando para muitos carros os simples são muito bons, e porque nos vendem a nós, revendedores, a preços que não podemos baixar mais para os consumidores.”

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