eletricidade

Energia. Energia. Marrocos vê em Portugal alternativa a Espanha

REUTERS/Damir Sagolj
REUTERS/Damir Sagolj

Marrocos está a apostar todas as suas cartas na futura parceria com Portugal para quebrar a atual dependência energética face a Espanha.

Depois da garantia já dada pelo secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, de que a a interligação elétrica entre Portugal e Marrocos será uma realidade em 2018, agora foi a vez do ministro marroquino da Energia, Minas e Desenvolvimento Sustentável, Aziz Rabah, confirmar que o reino do norte de África está a apostar todas as suas cartas na futura parceria com Portugal para quebrar a atual dependência energética face a Espanha.

“Queremos diversificar as parcerias, sobretudo com os países mais próximos, como Portugal”, disse Aziz Rabah numa entrevista ao Dinheiro Vivo à margem da conferência “Energia Limpa para todos os Europeus”, que teve lugar em Lisboa.

O projeto rondará os 400 milhões de euros, no seguimento do estudo de viabilidade que está neste momento em curso, e que deverá ficar concluído em novembro, e da decisão política entre os governos dos dois países.

“Já temos interligações elétricas com Espanha, estamos a trabalhar numa linha adicional, mas queremos estar interconectados com toda a Europa. Na COP 22, em Marraquexe, assinámos uma convenção com quatro países: Portugal, Espanha, Alemanha e França para uma perfeita integração na esfera europeia. Claro que Portugal nos interessa, porque faz parte da Europa, é nosso vizinho, e há um grande potencial comercial entre os dois países, sobretudo no domínio energético e elétrico”, disse o ministro.

“A ideia é estarmos mais ligados aos países vizinhos, e a Portugal em particular. Queremos fazer de Marrocos uma plataforma internacional no domínio da energia”, afirmou o responsável do governo marroquino, que aguarda agora a finalização do estudo de viabilidade previsto para o final do ano. “Aí veremos qual o melhor business plan para os dois países. Claro que se trata de um grande investimento e muitas empresas dois dois países estarão envolvidas no projeto de interconexão futura. Se tudo correr bem, no final do ano teremos uma visão mais clara sobre o futuro”.

O governante sublinhou ainda que Marrocos tem muitas empresas portuguesas a investir no país, cerca de 200. “Além disso, Portugal é muito influente junto dos países lusófonos e isso interessa-nos, para futuras cooperações. E no que diz respeito ao turismo, estamos interessados em parcerias futuras. Estamos muito convencidos que poderemos fazer muitas coisas com este novo parceiro que é Portugal”, frisou Aziz Rabah.

Do lado português, o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, assegura que “tudo indica que o estudo esteja pronto em novermbro/dezembro”. “A interligação entre Portugal e Marrocos será um facto. Todas as indicações são positivas, estamos a recolher dados nacionais e internacionais, estamos a estudar todas as opções. Depois de reunião com o consórcio, estamos muito otimistas com o trabalho que está a ser desenvolvido”, disse o governante ao Dinheiro Vivo.

Quanto ao valor do projeto, Seguro Sanches admitiu “vários cenários alternativos, mas o montante não será pago pelos consumidores mas sim pela energia que é transportada de um lado para o outro”.

Marrocos está apostado em diversificar o seu portfólio energético e aumentar o número de países parceiros, para não depender apenas das atuais interligações elétricas que ligam o país à vizinha Espanha.

“Todas as interligações fazem sentido no quadro do sistema elétrico europeu”, tinha já garantido seguro Sanches ao Dinheiro Vivo. A futura ligação portuguesa a Marrocos e um possível terceiro cabo espanhol são projetos paralelos que “não se eliminam”. “O potencial de crescimento é grande. E no caso de Marrocos faz todo o sentido porque é um país que importa quase toda a energia que consome”, diz o secretário de Estado, sublinhando que em 2016 as exportações portuguesas de eletricidade ultrapassaram pela primeira vez as importações, gerando um excedente comercial de 170 milhões de euros.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Inspeção Geral das Finanças tem inquérito a decorrer.

IGF detetou ilegalidades de 1900 milhões de euros em 2016

Patrick Drahi lidera grupo Altice. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens

Acionistas da dona do Meo apresentam queixa por “informação falsa ou enganosa”

Fotografia: JOSÉ COELHO/LUSA

OE2018: Aprovado aumento extraordinário de 6 ou 10 euros nas pensões

Outros conteúdos GMG
Conteúdo Patrocinado
Conteúdo TUI
Energia. Energia. Marrocos vê em Portugal alternativa a Espanha