dia mundial da energia

Energia. Portugal tem das maiores tarifas sociais da Europa

Um estudo da Selectra mostra que apesar de Portugal ter os preços mais elevados também é o país que apresenta maiores descontos

Portugal é um dos países europeus onde as tarifas energéticas são mais altas mas também onde a tarifa social da energia oferece os maiores descontos.

A conclusão é de um estudo da Selectra, entidade francesa de aconselhamento de tarifas de gás natural, eletricidade e telecomunicações e que tem operação em Portugal e mais 11 países. Para chegar a estas conclusões foram analisados os preços em Espanha, Itália, França, Grã-Bretanha (mas apenas Inglaterra, Escócia e País de Gales) e Bélgica, onde a empresa opera.

Segundo as conclusões de um relatório elaborado a propósito do Dia Mundial da Energia, que se celebra na segunda-feira, os consumidores vulneráveis, que têm acesso às tarifas sociais da energia, têm os maiores descontos da Europa: 33,8% na eletricidade e 31,2% no gás natural, garante a empresa.

Atualmente, mais de 820 mil famílias em Portugal têm acesso às tarifas sociais de energia (o que compara com 140 mil um ano antes). “Desde julho de 2016, a atribuição da mesma passou a ser um processo automático, realizado através do cruzamento de dados entre a Segurança Social e a Agência Tributária, que verificam quais os titulares que reúnem os requisitos necessários para receberem tal
benefício”, explica a Selectra, justificando assim o aumento do número de famílias com acesso à tarifa social.

“Portugal, desde que passou para o sistema automático de atribuição das tarifas sociais, avançou muito no tema e muito mais famílias puderam ser agraciadas com o benefício”, afirma Carlos Afonso Sobral, responsável da Selectra Portugal, em comunicado. “Um ponto alto das tarifas sociais no nosso país, em relação a alguns dos outros citados no estudo, é que, aqui, todas as comercializadoras são obrigadas a oferecê-las, portanto, os portugueses são livres de escolher a companhia que querem contratar e, posteriormente, caso o cliente reúna a condição para ser beneficiário da tarifa social, esta ser-lhe-á atribuída automaticamente.”

Um dos aspectos ainda muito criticados é que a tarifa social ainda não engloba o gás engarrafado, principalmente se consideramos que o gás natural ainda não chega a muitas regiões e, portanto, ainda existem muitos consumidores que utilizam, para abastecer as suas casas, as garrafas de propano e butano.

Já em Espanha, a tarifa social só existe na eletricidade e abatimento é de 25% nas faturas. Em Itália este valor representa 20% na luz e 15% no gás natural e em França o valor pode variar entre os 71 e os 140 euros por ano (dependendo da potência, no caso da eletricidade) e 23 e 183 euros ao ano (de acordo com o nível de consumo de gás natural).

Na Bélgica este desconto não tem um preço fixo e é revisto a cada 6 meses. Na Grã-Bretanha, as ajudas económicas são apenas durante o período de inverno. Ou seja, não existe uma tarifa social única mas três assistências diferentes, consoante as necessidades do consumidor e que consistem ou em ajudas económicas ou na instalação de isolamentos térmicos ou melhoria no sistema de aquecimento para gerar eficiência energética e contribuir para a poupança nas faturas.

Já em França, as famílias beneficiadas com a tarifa social, além de receberem o desconto já citado anteriormente, também não precisam pagar a ligação do abastecimento e, ainda, recebem uma dedução de 80% nas taxas de religação da energia devido a um corte por falta de pagamento, conclui a informação divulgada pela Selectra.

 

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