Engie, Iberdrola e Endesa na corrida parar comprar barragens portuguesas da EDP

A EDP está a vender 2000 MW de capacidade hidroelétrica, com todas as barragens incluídas na oferta de ativos situadas em Portugal.

Fontes do mercado, conhecedoras do processo, confirmaram ao Dinheiro Vivo que já existem várias propostas em cima da mesa para comprar os ativos hidroelétricos na ordem do 2000 MW que a EDP está a tentar vender. As mesmas fontes garantem que uma das propostas não vinculativas entregues à elétrica portuguesa é da espanhola Iberdrola, sem acrescentar mais pormenores.

Isto num momento crucial do processo, em que nenhum dos envolvidos – nem vendedor nem compradores – se querem pronunciar sobre o assunto. Contactadas pelo Dinheiro Vivo, EDP, Endesa e Iberdrola não se mostraram disponíveis para prestar declarações.

De acordo com fontes citadas pela Dow Jones Newswires e pelo jornal espanhol Cinco Días, também a espanhola Endesa e francesa Engie já entregaram as suas propostas. Nesta nova fase do processo participam também os fundos Ardian e Brookfield. Já a Naturgy, que se tinha mostrada interessada, acabou por não entregar proposta.

O Cinco Días avança que os ativos em venda equivalem a 2000 MW de capacidade hidroelétrica e todos eles se situam em Portugal. O jornal cita ainda fontes da Endesa, que confirmam ter apresentado uma oferta "tão atrativa como razoável". Ainda que sejam desconhecidos os valores oferecidos oferecidos pelas concorrentes à EDP, é sabido que a empresa espera conseguir pelo menos dois mil milhões de euros pelos ativos.

As fontes ouvidas pelo Dinheiro Vivo confirmaram ainda que a EDP já está neste momento a analisar as propostas recebidas, depois de terminado esta quarta-feira, 31 de julho, o prazo prazo final para a apresentação de ofertas não vinculativas para a compra de ativos hidroelétricos que a EDP quer vender na Península Ibérica.

Na análise da FitchRatings, a EDP está a fazer progressos na implementação do seu plano estratégico, cujo objetivo de redução da dívida está dependente da venda de ativos no valor de dois mil milhões de euros. "A EDP recebeu no fim de julho ofertas não vinculativas para um portfólio de mais de 1,5 GW de ativos de produção de energia elétrica (hidroelétricos e térmicos) em Portugal, com a saída definitiva dos mesmos e o encaixe financeiro previstos para 2020", analisa a FitchRatings.

A EDP contratou dois bancos de investimento – Morgan Stanley e UBS – para gerir a venda das barragens e mini-hidroelétricas, que por sua vez entraram em contacto direto com pelo menos 10 potenciais investidores.

Entre eles as principais empresas energéticas espanholas e vários fundos de investimento, sendo que todos eles manifestaram interesse prévio na compra dos referidos ativos. Na lista de empresas e fundos que receberam a “documentação” (apresentação dos ativos e respetivo caderno de encargos enviada pelos bancos em nome da EDP) figuram nomes como a Repsol, Iberdrola, Naturgy, Endesa, Engie e os fundos Brookfield, Macquarie (através da sua participada Viesgo) e a alemã Aquila Capital.

A Repsol rejeitou desde o início participar no processo de venda, apesar de ter recebido a documentação e o caderno de encargos. Fonte do mercado adiantou ao Dinheiro Vivo que a retirada de cena da Repsol neste processo se prende com o próprio plano estratégico da empresa, que exclui a compra de ativos sujeitos a regulação, como aconteceu no processo de aquisição da Viesgo. Neste caso, a petrolífera decidiu comprar dois dos negócios da elétrica espanhola Viesgo: a geração de eletricidade de baixas emissões e o retalho de gás e eletricidade.

Uma das razões de alguns investidores para rejeitarem a oferta da EDP, diz o Cinco Días, prende-se com o facto de muitas barragens incluídas no pacote de ativos terem níveis de água demasiado baixos, com centrais de bombagem que se manteriam na posse da EDP. Uma situação pouco desejável para as empresas elétricas mas não para os fundos de investimento, que poderiam celebrar contratos para fornecer a eletricidade gerada à elétrica portuguesa.

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