Entregas de cabazes agrícolas sem mãos a medir

Há casos em que as encomendas cresceram 10 vezes. Com listas de espera, empresas já pensam em contratar

As filas de espera chegaram às entregas dos cabazes agrícolas, havendo casos de atrasos de 15 dias, tal a dimensão da procura por bens alimentares, de preferência, sem sair de casa. Em várias situações, os empresários declinaram falar à imprensa, porque “a prioridade são os clientes”.

Na Hortas da Cortesia, uma exploração familiar de produção biológica, em Sintra, o proprietário Miguel Horta, apressado no telefonema, apenas diz que as encomendas dos cabazes estão “10 vezes acima do normal”.

Já em Matosinhos, na Cesta Verde, as encomendas têm estado suspensas. Os cabazes bio e “semibio”, com bens de pequenos produtores, estão a ser entregues com um atraso de duas semanas para responder a “um acréscimo fora do normal” da procura, como assinala Esmeralda Zamith, proprietária da empresa, que também tem loja física, onde, nesta fase, “ninguém entra”. Os cabazes são entregues à porta do espaço, já pagos, ou ao domicílio, consoante a vontade do cliente.

“Neste momento, as pessoas estão a comprar cabazes com produtos para consumir durante um mês”, com reforço de leguminosas e frutos secos, acrescenta a empresária, no meio da azáfama de responder a todos os pedidos já acumulados.

“Estamos afogados em trabalho”, é assim que Graça Costa, proprietária da Quintinha, em Vila Nova de Gaia, descreve a atual situação da loja de produtos biológicos, uma das primeiras do país com entregas ao domicílio. “Estamos a trabalhar umas 20 horas por dia!” e já está a tratar de contratar mais pessoas.

Os clientes habituais têm vindo a ser privilegiados nas entregas, mantendo o volume de encomendas dentro do normal, mas, para os clientes mais recentes, não só já têm de ir para uma lista de espera, com entregas só possíveis dentro de uma semana, como “estão no impulso do momento e compram acima daquilo que seria o normal”, descreve a empresária, assegurando que nenhum dos seus fornecedores está parado, mantendo o abastecimento habitual.

Redimensionar a produção

Mais a Norte, a BioEmCasa, empresa de entrega aos domicilio de cabazes biológicos a partir de Viana do Castelo, admite que a procura subiu cinco a seis vezes face ao habitual, e que já há um atraso de oito a 10 dias nos prazos da expedição, revela Yohan Martins, proprietário. Até agora não houve falhas no abastecimento, mas receia que os produtores não consigam responder da mesma maneira “mais à frente”, tendo em conta que não dimensionaram a produção para esta procura inesperada.

O volume de encomendas também “aumentou bastante” na plataforma Biorgani, onde estão “sediados” vários pequenos produtores de agricultura biológica da região de Lisboa, de acordo com a equipa que gere o site. Apesar do acréscimo de procura, asseguram que não tem havido falhas no abastecimento.

No caso da rede Prove, que agrega 170 produtores, biológicos e convencionais, a nível nacional, confirma uma procura com um “crescimento exponencial” pelos cabazes e a existência de listas de espera para as entregas em alguns casos, segundo Cláudia Bandeiras, técnica superior da associação ADREPES, que gere a plataforma.

Uma parte dos agricultores está a fazer as entregas diretamente ao domicílio, embora se mantenham abertos alguns pontos de venda que a Prove tem em Lisboa, Braga, Algarve e Porto.

Para responder à procura, Cláudia Bandeiras afirma que os produtores já estão a planear as suas culturas para os próximos meses, na perspetiva de garantir um reforço da produção.

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