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Eólica vs. solar. Que energia dominará a Europa em 2030?

: PÁGINAS : LIXO 08-09 NEGÓCIOS Eólicas + Opinião

A WindEurope e a SolarPower Europe estão de olho no potencial eólico e solar de Portugal. Estas serão as energias do futuro. Resta saber qual reinará.

Nos primeiros dez meses de 2019, 26% da eletricidade produzida em Portugal veio da energia do vento e apenas 2,5% do sol, o que ainda assim representa um aumento de 30% face a 2018. Mas no futuro estas duas renováveis estarão quase ao mesmo nível.

As projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) mostram que, a partir de 2027, a energia do vento ocupará o pódio no mix de geração de eletricidade na União Europeia. E que aí se manterá, imbatível, e em ritmo ascendente, até 2040. “A capacidade eólica na Europa vai crescer a um ritmo de 50 GW por ano entre 2030 e 2050”, garantiu Giles Dickson, CEO da associação europeia WindEurope, em entrevista ao Dinheiro Vivo em Bruxelas.

Quase em paralelo, também a energia solar está num enorme caminho de crescimento. “Vamos crescer 20 GW na Europa em 2019, um aumento de 80%. É gigantesco, mas não será o fim do crescimento da energia solar. Continuará ao mesmo ritmo em 2020 e, com o quadro regulatório ideal, estamos certos de que em 2030 já podemos representar 20% do consumo de eletricidade”, prevê Walburga Hemetsberger, CEO da SolarPower Europe, ao Dinheiro Vivo na capital belga, sublinhando que o crescimento do mercado para a energia solar na Europa será de 30 GW até 2022.

No entanto, a voz da Comissão Europeia, cujo novo Executivo tomará posse no dia 1 de dezembro, deixa o aviso: “Por mais desenvolvidas que a energia eólica e solar já estejam, ainda precisam de ser mais eficazes e desenvolvidas. Têm de crescer e para isso é preciso mais inovação”, lembrou Ditte Juul-Jorgensen, diretora-geral de Energia da Comissão Europeia, que esteve na assinatura do manifesto da Aliança para a Eletrificação, promovido pela Eurelectric.

Ilustração: Vítor Higgs/Animação: Nuno Santos

Ilustração: Vítor Higgs/Animação: Nuno Santos

No vento, o verdadeiro motor de crescimento, garante a WindEurope, será a nova vaga de parques eólicos offshore que vão nascer na Europa. Por agora ainda só há eólicas nos mares do Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Bélgica e Holanda. Contabilizando só o offshore, são 20 GW já instalados na Europa, o que correspondem a 2% das necessidades de energia no Grupo dos 28. Na visão da AIE, o eólico offshore será mesmo a fonte mais usada na produção de eletricidade na UE em 2040, com uma percentagem entre os 20% e os 25%, enquanto a eólica onshore se manterá abaixo dos 20%.

“Se somarmos as turbinas eólicas em terra e no mar, a energia eólica diz hoje respeito a 14% de toda a eletricidade que é consumida na Europa. São perto de 200 GW, que em 2030 duplicarão para 400 GW e em 2050 chegarão aos 1000 GW”, disse Giles Dickson.

Energias renováveis DV

A ambição nacional

Portugal não esconde que quer ir mais longe e mais depressa do que a União Europeia na transição energética em curso. Para isso, o PNEC 2030 prevê 47% de renováveis nessa altura (das quais 35% dizem respeito à energia eólica e 27% à solar) e ainda um salto de 0,5 GW no solar em 2015 para quase 9,9 GW em 2030, enquanto o eólico evoluirá de 5 GW para 9,2 GW. Diz a Apren que para cumprir estas trajetórias, o país terá de instalar até 2030 cerca de 3,8 GW de eólica e até 8,6 GW de solar fotovoltaica.

Lisboa também não quer perder o comboio do eólico offshore e em breve deverá entrar em produção (até ao fim de 2019) o novo parque eólico flutuante Windfloat Atlantic, 20 km ao lago da costa de Viana do Castelo com uma capacidade instalada total de 25 MW, o equivalente à energia consumida por 60 mil habitações num ano. O parque é detido pelo consórcio Windplus – EDP Renováveis, Engie, Repsol e Principle Power – e conta com um investimento de 125 milhões de euros.

“Portugal é um dos países mais avançados. A percentagem de energia eólica no mix de eletricidade não está a diminuir, apesar de o investimento estar a cair e de não estarem a ser construídas novas centrais. Mas estão a fazer o repowering. O tempo médio de vida das centrais eólicas em Portugal é de 11 anos, o que já é demasiado. São parques envelhecidos e já discuti isto com o secretário de Estado da Energia, João Galamba. Ele sabe que tem de apoiar o repowering dos parques eólicos. O sistema português é bom porque se a capacidade for aumentada até 20% pode ser usada a mesma ligação à rede. Portugal é único nesta lei. No entanto, para novas centrais eólicas, ou mais capacidade além dos 20%, o processo de licenças é muito complicado”, rematou Dickson.

De acordo com fonte oficial da direção-geral de Energia e Geologia (DGEG), no que diz respeito aos sobreequipamentos no eólico (que prolongam a tarifa fixa), deverão entrar em exploração até 2021 oito parques, estando mais quatro em licenciamento. Já no repowering (tarifa de 45 euros, fixa durante um ano), há apenas um parque. E vai nascer um novo parque eólico que já está licenciado e outros dois em processo de licenciamento. No fotovoltaico, estão licenciadas 52 centrais solares e o primeiro leilão adjudicou 23 lotes com 1292 MW.

O sol é para todos

Walburga Hemetsberger também tem ouvido as novidades que chegam de Portugal, a começar pelos “resultados incríveis nos leilões do solar”, com 1400 MW de potência, realizados neste ano, com recordes batidos ao nível dos preços mínimos. Para 2020, o governo está já a preparar novos leilões de energia solar: mais 700 MW no primeiro semestre do ano; e 7,6 GW em fotovoltaico flutuante.

“Cada vez há mais países europeus a chegar a uma escala de vários GW na energia solar. Temos a Alemanha, Espanha, Holanda, Itália. Claro que quanto mais sol um país tem mais eletricidade pode produzir, mas o solar fotovoltaico continua a fazer sentido nos países nórdicos, na Alemanha e nos países de Leste, como a Polónia, que está a investir forte, porque a tecnologia tornou-se barata e conseguem ter produção de eletricidade de fontes renováveis, apesar da menor exposição solar ao longo do ano.”

No solar, o grande motor de desenvolvimento será o armazenamento, com baterias, mas “ainda não chegámos lá”, diz. “No mercado europeu, 60% dos projetos solares são combinados com armazenamento. Mas ainda há muito por onde desenvolver. Quando o preço descer, vai ser uma tendência forte.” E deixa um aviso: “Se a Europa quer cumprir o Acordo de Paris e promover o solar como uma das fontes de geração de energia mais baratas, em 2023 a procura terá de chegar aos 48 GW.”

A jornalista viajou para Bruxelas a convite da Eurelectric

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