Equipa do FMI diz que os salários não caíram em Portugal

Paulo Portas e Pedro Passos Coelho
Paulo Portas e Pedro Passos Coelho

Pouco potencial de crescimento até 2018, um mercado de trabalho anémico, caro e com desemprego para durar, um ajustamento da balança externa que parece ser de curta duração. Este é, em traços largos, o mais recente diagnóstico de uma equipa de seis peritos do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre Portugal e restantes países da zona euro submetidos a programas de intervenção financeira e económica (Grécia, Espanha e Irlanda).

No estudo “Ajustamento nos países
deficitários da área do euro”
, hoje divulgado, o FMI reitera todas as
críticas negativas que deixou nas suas últimas avaliações ao programa de
ajustamento português. Diz, inclusive, que os salários não caíram e que os
custos do trabalho desceram sobretudo devido à forte destruição de empregos. A
análise é feita entre o primeiro trimestre de 2009 e o segundo trimestre do ano
passado.

A instituição, que tal como a Comissão
Europeia, acompanhará Portugal durante várias décadas, fazendo recomendações de
política económica e orçamental (Espanha e Grécia, idem), deixa uma lista
extensa de avisos relativamente ao “médio prazo”.

Na parte salarial, o estudo diz que “em
Portugal e Espanha, os salários não caíram e as reduções registadas nos custos
unitários do trabalho (5% a 10%) vieram acima de tudo da destruição de emprego”
entre o início de 2009 e meados de 2013. “O produto interno bruto real continua
abaixo dos níveis pré-crise”, observa.

O estudo do FMI diz que talvez Grécia e
Portugal tenham entrado no euro sobreavaliados (designadamente ao nível dos salários e das “rigidezes do mercado de trabalho”) o que depois, com
a crise, acabou por ditar o aprofundamento dos desequilíbrios externos e a
perda de força nas exportações.

“O compromisso em aderir à União
Económica e Monetária tinha criado grandes expectativas de convergência, mas a
produtividade estagnou e os custos unitários do trabalho aumentaram,
danificando a competitividade externa”, reparam os autores.

Citando o economista francês Olivier Blanchard, que hoje é chefe do departamento económico do Fundo, os
peritos acusam ainda “a falta de disciplina orçamental” como sendo um
dos principais factores que levaram aos desequilíbrios, sobretudo na Grécia e
“em muito menor grau” em Portugal.

Mas, como é apanágio do FMI, é no mercado
laboral que estão os maiores bloqueios da economia portuguesa. O ajustamento
salarial ainda terá de ser feito caso contrário o desemprego continuará sempre
elevado.

No relatório, o grupo acredita pouco nisso.
“Não se espera que a taxa de desemprego melhore muito em Espanha e
Portugal no médio prazo”; a balança comercial portuguesa
melhorou sobretudo devido a exportações mais elevadas, mas também à
“compressão nas importações”; o crescimento futuro das
exportações deverá ser apenas “modesto” até 2018 na Grécia, Itália e
Portugal.

“As projeções para o crescimento do produto potencial vão continuar fracas para todos os países deficitários, com a exceção da Irlanda”, avisam, citando as projeções macroeconómicas do Fundo para os próximos quatro anos.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
O primeiro-ministro, António Costa, intervém durante a cerimónia de assinatura de declaração de compromisso de parceria para Reforço Excecional dos Serviços Sociais e de Saúde e lançamento do programa PARES 3.0, no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, em Lisboa, 19 de agosto de 2020. ANDRÉ KOSTERS/LUSA

“Na próxima semana podemos chegar aos 1000 casos por dia”, avisa Costa

Fachada da Caixa Geral de Depósitos. 
(Sarah Costa / Global Imagens)

Clientes da CGD sem acesso ao serviço Caixadirecta

App Stayaway covid

App Stayaway Covid perto do milhão de downloads. 46 infetados enviaram alertas

Equipa do FMI diz que os salários não caíram em Portugal