Investigação

Equipas com mulheres são mais inteligentes

Christopher Chabris, investigador norte-americano que tem desenvolvido o conceito de inteligência coletiva. Fotografia: Direitos reservados
Christopher Chabris, investigador norte-americano que tem desenvolvido o conceito de inteligência coletiva. Fotografia: Direitos reservados

Christopher Chabris concluiu que grupos com mais inteligência coletiva incorporam maior número de participações femininas

Habituámo-nos a aceitar que cada indivíduo se pode distinguir pelo seu quociente de inteligência (QI), mas Christopher Chabris, investigador norte-americano que tem desenvolvido o conceito de inteligência coletiva, concluiu ser possível atribuir igualmente às equipas um determinado nível de capacidade cognitiva.

Nas suas investigações, após testes e ensaios, verificou que os grupos “mais inteligentes” exibem três características: as equipas com mulheres tendem a exibir maior inteligência coletiva, tal como conseguem um maior equilíbrio das contribuições dos seus membros, sem deixar que uma ou duas pessoas dominem, além de que têm maiores índices de inteligência social.

No caso da presença feminina em número superior aos dos homens nas equipas, Christopher Chabris explica o êxito, em parte, pelo facto de as mulheres terem, em média, melhor mind reading, isto é, maior capacidade para ler a mente de alguém através das suas palavras e emoções ou da linguagem corporal.

Nos seus estudos, citados também num artigo que publicou no The New York Times, mencionou ter chegado a lidar com equipas em que, apesar de as médias individuais de QI serem as mais elevadas, o grupo não pontuou mais do que os outros em termos de inteligência coletiva. Nem as equipas com as pessoas mais extrovertidas ou cujos membros disseram estar muitos motivados para o sucesso do grupo.

Christopher Chabris – que apresentou os seus estudos recentemente em Portugal, quando participou no simpósio da Fundação Bial Aquém e Além do Cérebro, sobre o tema genérico “Potenciar a mente” – assinalou que o trabalho, na atualidade, é cada vez mais feito por equipas e não por indivíduos, e que muito do trabalho importante resulta de pequenos grupos que colaboram entre si.

“Todos já passámos por reuniões terríveis, que duram horas, e fizemos parte de más equipas”, ilustrou o investigador, para mostrar tratar-se de “patologias” transversais nas disciplinas científicas e académicas, mas também nos negócios e nos governos, ou seja, onde haja seres humanos a tentar trabalhar em grupo.

Deu até o exemplo das startups por serem constituídas por pequenas equipas e nas quais, “muitas vezes, os fundadores têm uma multiplicidade de tarefas, desde inventar produtos e serviços, obter financiamentos, trabalhar o marketing, a produção, etc.”.

Após vários estudos com centenas de equipas e milhares de indivíduos, apurou que “o desempenho de uma tarefa está, de facto, correlacionado com as equipas, existindo um fator geral que explica a variedade da performance dos grupos, tal como sucede na performance individual de tarefas cognitivas”, fator esse que denominou por “inteligência coletiva”.

No caso das empresas, Chabris faz notar que, para se compreender um nível tão pronunciado de diferenças em termos de desempenho e resultados, é preciso ter em conta a inteligência diferenciada dos pequenos grupos, à semelhança do que acontece com os comportamentos: “As diferenças individuais não se conseguem compreender sem explicar as diferenças de inteligência individual.”

“Esperamos que compreender o que torna um grupo inteligente ajudará organizações e líderes em todos os campos a criar e a gerir equipas de forma mais eficiente.”

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