Emprego

Erol Kiresepi: Maior desafio dos empregadores é o “skills gap”

Erol Kiresepi, presidente da Organização Internacional de Empregadores.
( Álvaro Isidoro / Global Imagens )
Erol Kiresepi, presidente da Organização Internacional de Empregadores. ( Álvaro Isidoro / Global Imagens )

Representante internacional dos empregadores defende que com o avanço tecnológico, a vida média das competências diminuiu.

“Os jovens têm de ser empreendedores porque o empreendedorismo significa inovação. E a inovação é a chave do crescimento”, defende Erol Kiresepi. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, à margem do Congresso da CIP, o presidente da Organização Internacional dos Empregadores aponta o gap de competências como o maior desafio dos empregadores.

E o que é este gap? “Temos desemprego, mas não conseguimos encontrar as pessoas que precisamos. Há postos vagos que não conseguimos preencher. Este é o principal problema do skills gap“, esclarece.

Apesar de constatar que os desafios dos empregadores diferem por região, setor e tamanho das empresas, o responsável refere que os principais estão centralizados, sendo a questão das competências a mais desafiante. “Com o avanço tecnológico, a vida média das competências diminuiu. Atualmente, a vida média das competências é de 2,5 a três anos”.

“67% das crianças que começam a escola agora, quando terminarem não vão exercer uma profissão que exista hoje. Temos de os ensinar aquilo a que chamo learnability, ou seja, aprender a aprender. Temos de os ensinar a serem curiosos”.

Erol Kiresepi reconhece ainda outro desafio: o setor informal. “61% das pessoas ativas no mundo trabalham no setor informal”, indica, referindo-se à média mundial. “Dois terços da produção mundial é feita no setor formal. Isto quer dizer que dois terços da produção são realizados por um terço das pessoas, significando que o setor informal não é produtivo. E quando é preciso crescimento para um país, é preciso produtividade”.

O representante dos empregadores aponta a produtividade como um dos problemas da economia portuguesa. “Em Portugal há crescimento, mas o crescimento da produtividade não está a acompanhar o crescimento económico. Este é um dos desafios que Portugal tem”.

Apesar dos desafios, Erol Kiresepi caracteriza a evolução do panorama económico nacional como “milagre português”. “Portugal esteve muito bem. Diminuiu o desemprego de 17% para 7%, a economia está a mexer-se. Fizeram investimentos, há o turismo, aumentaram as exportações. A procura interna também está a aumentar, assim como o PIB. E fizeram-no num período muito curto de tempo. Mas ainda têm de aumentar a produtividade.”

A produtividade só se torna sustentável quando o gap com a Europa diminuir, defende. “Porque hoje a sustentabilidade vem do turismo e essa sustentabilidade não é assim tão sustentável. Há que ir pelas exportações”, remata.

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