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ERSE: “Importância do gás natural para produzir eletricidade é curta”

Maria Cristina Portugal, Presidente da ERSE
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
Maria Cristina Portugal, Presidente da ERSE ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Em 2017, a produção hídrica reduziu-se 60% face a 2016, enquanto as centrais a gás natural registaram um enorme salto de 109%.

O gás natural não pode “viver para ser um recurso apenas em caso de seca, este não é o melhor panorama a longo prazo”. O aviso foi deixado pela nova presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), Maria Cristina Portugal, em pleno encontro anual da Associação Portuguesa de Empresas de Gás Natural (AGN), que se realiza hoje em Lisboa, sob o tema “Gás Natural – Papel central na matriz energética”.

“O gás natural não tem universalidade e a sua importância no mix energético para produzir eletricidade é curta”, reforçou ainda a responsável da entidade reguladora, sublinhando que diz respeito apenas a 7% do consumo doméstico, o que é insuficiente para sustentar o desenvolvimento do setor com base apenas nos consumos das famílias portuguesas e que pode agravar as tarifas de acesso às redes.

Em 2017, o gás natural saltou para as luzes da ribalta para compensar a queda a pique da energia hidroelétrica por causa da situação de seca severa que atinge já mais de 80% do território português. Este ano, a produção hídrica reduziu-se 60% face a 2016, enquanto as centrais a carvão aumentaram a sua produção em 22% e as centrais a gás natural registaram um enorme salto de 109%, de acordo com os números avançados pela REN – Redes Energéticas Nacionais.

Maria Cristina Portugal sublinhou ainda a necessidade de um maior acesso dos “operadores de menor dimensão e com carteiras mais pequenas” ao Terminal de Sines. “Esperamos que o novo mecanismo de continuidade venha a surtir efeito e estamos à espera de feedback em 2018”, disse a presidente da ERSE.

De acordo com um estudo da Autoridade da Concorrência (AdC), que identifica várias “barreiras” no mercado de gás natural em Portugal, uma destas barreiras passa precisamente pelas condições de acesso ao Terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) de Sines para os pequenos produtores.

A insuficiente integração de mercados ao nível ibérico (MIBGAS) e a dupla aplicação das tarifas de uso da rede de transporte no comércio transfronteiriço entre Portugal e Espanha são outras das barreiras identificadas pela AdC que retiram concorrência ao mercado e contribuem para aumentar os preços do gás natural, sobretudo para clientes industriais. Um das soluções para democratizar o acesso a Sines, diz a AdC, poderá passar por “leilões de gás natural liquefeito”, por exemplo.

Às empresas de gás natural que operam no mercado português, a presidente da ERSE, deixa vários conselhos: ponderação nos investimentos e na expansão da rede e também uma maior eficiência na gestão do controlo de custos.

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