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Espanha. Carregamentos elétricos podem custar três vezes mais do que o diesel

carros elétricos

Em Portugal, nos postos de carregamento elétrico rápido a fatura também pode ficar fica mais cara do que o diesel.

Espanha quer promover a mobilidade elétrica e para isso a nova Lei das Alterações Climáticas e Transição Energética dita que todas as gasolineiras com vendas de combustíveis superiores a cinco milhões de litros por ano estarão obrigadas a instalar um ponto de carregamento para veículos elétricos de 22 kW no prazo máximo de 27 meses (um ano e três meses) desde a sua aprovação.

De acordo com o El Economista, a medida afecta diretamente cerca de 1200 estações de serviço, às quais de somará um número ainda desconhecido de outras bombas em função da sua quota de mercado.

Cepsa e Repsol, entre outras marcas que operam em Espanha, já se manifestaram contra a medida, alegando custos de investimento demasiado elevados. As petrolíferas consideram os prazos “precipitados” e garantem que os pontos de carga a instalar nunca serão rentáveis porque não há procura. Em Espanha há cerca de 10 mil veículos 100% elétricos a circular. Além disso, defendem, a menos que existam ajudas públicas é impossível rentabilizar um ponto de carregamento ainda durante a sua vida útil (entre sete a 10 anos).

A somar à polémica, um relatório recente da Academia Real de Engenharia dá conta que carregar um veículo elétrico num posto futuramente instalado numa gasolineira convencional irá custar o triplo face ao abastecimento de um depósito a gasóleo. Feitas as contas, divulgadas pelo El Economista, viajar 100 quilómetros com um carro a diesel custa oito euros – 14 euros se for a gasolina -, enquanto com um elétrico carregado na rede que o governo quer instalar nas gasolineiras este valor dispara para 24 euros. Este valor seria ainda mais elevado para um carregador com maior potência (50 kW, por exemplo) e mais velocidade de carga.

E se em Espanha estes valores são ainda estimativas, em Portugal os utilizadores de veículos elétricos já conhecem melhor os preços que começaram a pagar desde o passado dia 1 de novembro. De acordo com as contas feitas pela Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE), se carregar o carro em casa gasta 2 euros para percorrer 100 km, enquanto num motor a gasolina são seis vezes mais – 12 euros. Nos postos de carregamento rápido, a fatura pode ficar fica mais cara que o diesel: 9,88 euros na energia elétrica, contra 9 euros no gasóleo.

A opção mais barata passa, assim, por ter um veículo elétrico com a bateria carregada na tomada de casa, com tarifa bi-horária e nas horas de vazio. Neste caso, garante a UVE, a eletricidade gasta para percorrer essa distância custa apenas 2 euros. Isto, tendo em conta um preço de 12 cêntimos por kWh num consumo médio de 15 kWh por 100 km. Mas se precisar de parar num posto de carregamento rápido, a mesma energia vai custar três vezes mais, ou seja, 6 euros (40 cêntimos por kWh).

Revelados os tarifários dos operadores dos postos e também dos comercializadores de energia elétrica (Galp Power, EDP Comercial, Prio.e, eVaz), a UVE concluiu que 3,20 euros é o preço mais barato para um carregamento rápido de 30 minutos, enquanto o carregamento mais caro ficará a 9,88 euros.

Em Espanha, o relatório citado pelo El Economista refere que, para que o negócio seja viável e registe uma rentabilidade anual de 6,5%, as gasolineiras espanholas terão de vender cada kWh a um preço de 1,21 euros. Três vezes mais do que o o equivalente em gasóleo, de 0,4 euros por kWh, considerando que um litro de diesel ronda em Espanha 1,35 euros.

Já num ponto de carregamento doméstico, um veículo elétrico carrega a bateria em seis a oito euros e custa 20 vezes menos do que numa gasolineira: 1,2 cêntimos por quilómetros em casa, contra os 24 cêntimos pela mesma distância na rede futura a criar nas bombas.

 

Por isso, para poder praticar que o mesmo preço nos combustíveis fósseis e na energia elétrica para a mobilidade, as gasolineiras devem ter reduções nos custos laborais e tarifas de eletricidade especiais, além de um subsídio de 70% para o investimento inicial que ronda em média os 30 mil euros, de acordo com as estimativas da Academia real de Engenharia de Espanha, um relatório que foi supervisionado pelo próprio secretário de Estado da Energia, José Domínguez, antes de ocupar o cargo.

O documento analisa a viabilidade do negócio de carregamento elétrico para um posto de 22kW, o modelo escolhido pelo governo, que permite abastecer em simultâneo dois carros elétricos no espaço de uma a duas horas (até um máximo de 10 carros por dia), e que já começa a ser presença habitual na maioria dos parques de estacionamento dos centros comerciais em Espanha. No total, a instalação destes pontos de carregamento pelas gasolineiras pode vir a custar entre 20 e 70 mil euros. A isto, soma-se ainda os custos de operação: energia elétrica, manutenção, entre outros gastos avaliados em 4500 euros anuais, dos quais 2800 euros dizem respeito ao preço a pagar pela eletricidade.

 

 

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