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Espanha é o principal destino das exportações de cerveja

Infografia JN
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Vendas para o país vizinho crescem a dois dígitos. Mercado chinês perde 50% desde janeiro

Com as exportações para a China a caírem mais de 50% desde o início do ano, Espanha é o novo destino preferencial das vendas externas das cervejeiras nacionais. Uma tendência que já se adivinhava no ano passado, mas que o primeiro trimestre veio consolidar: as transações para Espanha subiram 29% em valor e 36,8% em quantidade. Mesmo assim, e apesar do reforço, as exportações nacionais de cerveja estão a cair 6,23% em valor nos principais mercados.

Aliás, já no ano passado assim foi, com uma redução de 17,5%, para o valor mais baixo da década: 129,6 milhões de euros, fruto da quebra de 44,3% no mercado chinês. Em causa, a guerra comercial decretada pelas grandes multinacionais do setor à cerveja nacional que passou de pouco mais de 200 mil euros exportados para a China, em 2010, para quase 61 milhões, em 2017.

A Super Bock criou mesmo uma cerveja específica para o mercado chinês, a Super Bock Gold, “mais suave, mais redonda, e que apela mais aos paladares e aromas típicos da China”, explicava, em junho de 2018, o presidente da empresa. Rui Lopes Ferreira falava, então, à Lusa, dizendo que contava já com cinco mil pontos de venda em 50 cidades chinesas, com este mercado a pesar 40% nas exportações da empresa.

A China, o país mais populoso do mundo, consome mais de 45 mil milhões de litros por ano, o dobro dos EUA e cinco vezes mais do que a Alemanha, o líder europeu. Se tivermos em conta que, em 2017, a China importou 750 milhões de dólares em cerveja (672 milhões de euros), e que três em cada quatro cervejas importadas são europeias, percebe-se as razões da guerra comercial decretada à cerveja portuguesa. Resultado: as exportações caíram. “As marcas nacionais não têm poderio económico para entrar em guerras comerciais com as grandes multinacionais”, reconhece Francisco Gírio.

Angola
Foi, de 2000 a 2015, o principal destino das exportações lusas de cerveja, uma performance que, na verdade, vem já do início da década anterior, só interrompida em 1999, com Espanha a assumir, pontualmente, esse lugar cimeiro. O ano de 2012 marca o máximo histórico de exportações de cerveja para Angola, com 149,3 milhões de euros.

A apetência do mercado pelas cervejas portugueses levou Sagres e Super Bock a apostarem na produção local, um projeto que, no caso da cervejeira nortenha, ainda não saiu do papel, mais de 10 anos depois. Rui Lopes Ferreira, o quarto presidente da empresa de Leça do Balio desde que o investimento em Angola foi anunciado, mantém, ano após ano, a garantia do interesse na produção local.

Mais sorte teve a Central de Cervejas que, desde março de 2017, está a produzir Sagres nesse país, através do contrato assinado com a empresa de bebidas Sodiba (Sociedade de Distribuição de Bebidas de Angola), de Isabel dos Santos. É a primeira marca internacional de cerveja a ser produzida localmente e, no final de 2018, contava com um volume global acumulado vendido de 40 milhões de litros.

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