passos coelho

Esperar que a Europa resolva problema do malparado é “história da carochinha”

Fotografia: Álvaro Isidoro / Global Imagens
Fotografia: Álvaro Isidoro / Global Imagens

O líder do PSD defende que o Governo tem de assumir que resolver o problema do crédito malparado "vai custar dinheiro".

O líder do PSD defendeu esta segunda-feira que dizer que o problema do crédito malparado vai ser resolvido pela Europa é uma “história da carochinha”.

Numa intervenção num almoço do Fórum de Administradores de Empresas (FAE), Pedro Passos Coelho estimou que faltam “limpar cerca de 20 mil milhões de euros” em imparidades e crédito malparado no sistema financeiro, dos 40 a 50 mil milhões existentes em 2011, defendendo que estes problemas possam continuar a ser resolvidos pelo próprio sistema.

“Há, no entanto, quem pense de outra maneira e imponha custos demasiados a todos para que o problema se possa resolver. Uma solução para limpar crédito malparado ou custa dinheiro ao Estado e aos contribuintes, ou custa dinheiro aos acionistas dos bancos ou custa dinheiros às empresas ou custa dinheiro aos clientes dos bancos”, afirmou.

Considerando que o problema no sistema financeiro continua a existir, Passos Coelho alertou que “dizer que milagrosamente o problema se vai resolver porque na Europa se vai arranjar uma maneira de o resolver é a mesma conversa da carochinha e a conversa de cordel para os processos de reestruturação da dívida”.

“É acharmos que alguém paga por nós e isso não existe”, afirmou.

Na sua intervenção inicial, Passos recordou que, em 2011, segundo as contas do governador do Banco de Portugal, haveria uma necessidade de 40 a 50 mil milhões de euros para “imunizar o sistema bancário” dos riscos mais relevantes, dinheiro que o país não possuía.

“Somar mais pelo menos 30 mil milhões àquilo que era o envelope existente [78 mil milhões de euros] significava que Portugal estaria em condições de não ter uma dívida sustentável e portanto a Europa teria uma segunda Grécia”, afirmou, dizendo que a solução possível foi então penalizar “os donos dos bancos pelas más decisões ou decisões mais arriscadas que tomaram”.

Para o líder do PSD, poderia fazer-se pelo mesmo processo a ‘limpeza’ dos 20 mil milhões de euros que ficaram por resolver no sistema financeiro. “É perfeitamente viável”, defendeu.

O líder do PSD defendeu ainda que o Governo faria mais “pelo sistema bancário e pelos endividados” se a economia estivesse a crescer mais e lamentou que tenham sido abandonas políticas como o alívio fiscal do IRC ou a captação de capital estrangeiro.

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