pagamentos

Estado continua a ser o pior pagador, mas os prazos melhoraram

Assembleia da República. Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens
Assembleia da República. Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens

Estudo da Intrum mostra que 71% das empresas acredita que Portugal pode entrar em recessão nos próximos cinco anos.

O Estado continua a demorar mais tempo a fazer pagamentos do que as famílias e as empresas. Segundo o estudo ‘Relatório Europeu de Pagamentos 2019 – Portugal’, da Intrum, em 2019 o setor público em Portugal demora 75 dias em média a pagar as faturas de fornecedores. Está cima da média europeia de 42 dias mas melhorou face aos 86 dias registados em 2018. As famílias são as que demoram menos cumprir com os seus pagamentos. Levam em média 25 dias a pagar a fornecedores, perto da média da União Europeia (UE) de 23 dias. Corresponde a uma redução do prazo médio de pagamento face aos 38 dias verificados em 2018. No caso das empresas portuguesas, demoram em média 63 dias a pagar, acima dos 40 dias da média da UE, mas menos dois dias do que a média registada em 2018.

Segundo o estudo, em Portugal, 17% dos fornecedores paga após o prazo acordado, uma melhoria face aos 21% em 2018 mas pior que os 8% de média da UE.
Em termos de incobráveis, a situação também melhorou. Em 2019, o nível de faturas incobráveis desceu para 1,4% de 2,2% no ano passado. A maioria das empresas inquiridas, tanto em Portugal como a média da UE, esperam que a situação de incobráveis se mantenha estável nos próximos 12 meses.

O estudo – que recolheu dados de 11.856 empresas europeias, incluindo 418 portuguesas – mostra que em Portugal os problemas de liquidez e a diminuição do rendimento são as principais consequências dos atrasos de pagamento, com 49% e 42% respetivamente. Na Europa estes impactos descem para 30% e 27%, respetivamente, segundo o estudo.

Recessão à vista
Uma das conclusões do relatório da Intrum é que uma grande maioria das empresas portuguesas inquiridas espera uma recessão num futuro próximo. No total, 71% das empresas acreditam que Portugal pode entrar em recessão num período entre um e cinco anos, o que compara com a média europeia de 35%. Significa que as empresas portuguesas estão mais pessimistas do que as pares europeias quanto à evolução da economia. Para se prepararem para uma eventual recessão económica, as empresas apontam três medidas mais comuns que pretendem aplicar. Um total de 56% das empresas inquiridas afirmam que vão ser mais cautelosas a assumirem dívidas enquanto 52% das empresas vão apostar no planeamento para garantir os pagamentos dos clientes e cortar nos custos.

Uma das particularidades no setor empresarial português é que as empresas inquiridas afirmaram que, do total de pagamentos recebidos, 18,2% são da sua atividade de exportação. O valor está acima dos 10,7% da média europeia, o que pode tornar as empresas portuguesas mais vulneráveis a problemas no exterior.
Quanto à perspetiva do fim do dinheiro, os gestores portugueses estão alinhados com os homólogos europeus: 6% preveem que pode dar-se nos próximos 2 anos.

Print
Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Lisboa. MÁRIO CRUZ/LUSA

Défice externo até julho agrava-se para 1633 milhões de euros

Lisboa. MÁRIO CRUZ/LUSA

Défice externo até julho agrava-se para 1633 milhões de euros

EDP. (REUTERS/Eloy Alonso)

Concorrência condena EDP Produção a multa de 48 milhões

Outros conteúdos GMG
Estado continua a ser o pior pagador, mas os prazos melhoraram