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Estado de crise energética. ENSE coloca Portugal no nível de risco laranja

Fernando Fontes / Global Imagens
Fernando Fontes / Global Imagens

As necessidades médias diárias de consumo em Portugal são de cerca de 2,9 mil toneladas de gasolina, 13,6 mil toneladas de gasóleo,

De acordo com a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), Portugal encontra-se neste momento num nível de risco laranja (ou alto), o segundo mais elevado da escala, com a “existência de efeitos negativos no sector e outros interdependentes resultantes de uma situação anómala. O impacto ainda não é crítico, mas pode atingir essa situação se não forem tomadas medidas de mitigação do problema. Deverá existir uma monitorização contínua da situação e serem preparadas medidas cautelares para eventual ativação de urgência”.

“No seguimento da manutenção da greve dos Motoristas de Matérias Perigosas, a Entidade Nacional para o Setor Energético, na qualidade de responsável pelas reservas estratégicas nacionais de petróleo e produtos petrolíferos, e entidade supervisora do setor energético informa que atualizou o estado de prontidão para o nível laranja (ALTO) uma vez que o Governo aprovou a declaração de estado de crise energética, com vista a permitir a concretização de novas respostas para salvaguardar o abastecimento de serviços essenciais e na consequência do não cumprimento da Portaria nº117-A/2019 de 16 de abril”, anunciou a ENSE num comunicado publicado na tarde desta quarta-feira.

Está assim declarado o “estado de crise energética” no país e a causa é bem explícita: a greve dos motoristas de matérias perigosas que dura desde segunda-feira. Ao que o Dinheiro Vivo apurou, nos dois primeiros dias da semana o nível de risco estava ainda no amarelo (médio), tendo-se agravado nesta quarta-feira. Nesta fase a ENSE encontra-se a avaliar cenários de impacto e definir medidas a executar. O Dinheiro Vivo apurou que é expectável que já esta sexta-feira e sábado a situação volte à normalidade.

Alerta vermelho é pouco provável, mas não impossível

Fontes conhecedoras do processo garantem no entanto que o nível de risco não deverá passar à fase seguinte – vermelho (ou iminente), equivalente a uma “grande disrupção no sector petrolífero que leva à necessidade de utilização das reservas petrolíferas e à ativação do estado de emergência”. Neste nível de risco mais grave, toda a operação comercial de distribuição e venda de combustíveis passa a ser controlada pela ENSE e pelo governo, e não pelas empresas do setor.

“A ENSE continua a desenvolver contactos com operadores, transportadores, e forças e serviços de segurança para assegurar um acompanhamento permanente da evolução da situação e de eventuais impactos no normal funcionamento do sistema petrolífero nacional (SPN)”, refere o mesmo comunicado.

As mesmas fontes ouvidas pelo Dinheiro Vivo garantem que a situação vivida por estes dias no país não se trata de um problema de reservas de combustíveis (que permanecem intactas), mas da sua distribuição pelo território nacional, que, neste caso, ultrapassa a ENSE. Escondidas em locais secretos um pouco por todo o país as reservas de combustíveis ascendem a 2,5 milhões de toneladas, porntas a serem usadas, e que equivalem ao consumo atual do país durante 90 dias (sem produzir e sem importar). Já o normalmente está disponível para comercialização ronda as 520 mil toneladas.

“Tendo por base os valores totais de introduções ao consumo registados em 2018 junto da ENSE, as necessidades médias diárias de consumo em Portugal são de cerca de 2,9 mil toneladas de gasolina, 13,6 mil toneladas de gasóleo, 4,1 mil toneladas de JET, 1,4 mil toneladas de GPL e de 600 toneladas de fuel, sendo que neste momento as reservas comerciais estão estimadas em aproximadamente 520 mil toneladas e as reservas estratégicas a cargo da ENSE ascendem a mais de 2.000.000 (dois milhões de toneladas) de produtos carburantes”, explica a entidade governamental.

Filipe Meirinho, presidente do Conselho de Administração da ENSE, que assina o comunicado, garante que “mantém disponível a totalidade das suas reservas de combustíveis, prontas para fazer frente a disrupções de abastecimento (geral ou pontual) apesar de resultar claro que esta perturbação não é devido à falta de combustível, mas resulta sim a constrangimentos de distribuição de carburantes”.

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