Coronavírus

Marcelo: “Estado de emergência dá tempo à reabertura”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
RODRIGO ANTUNES/LUSA
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. RODRIGO ANTUNES/LUSA

Presidente da República justificou hoje o novo prolongamento do estado de emergência. Preparar a reabertura em maio é o principal motivo.

“O país não pode morrer na praia” e maio tem de ser o mês para pesar “dever e esperança”, o que justifica a renovação do estado de emergência até ao final deste mês de abril. Em comunicação ao país esta noite, o Presidente da República justificou com três pontos a renovação por ele proposta e hoje aprovada no Parlamento, até dia 2 de maio, sinalizando já a reabertura nesse horizonte como principal motivo: a necessidade de ter tempo para organizar uma reabertura com cautela.

Começando por elogiar os esforços até agora empreendidos e que nos permitiram ir vencendo desafios, o PR sublinhou que é preciso continuar e reforçar os testes à população para garantir que o combate à pandemia se faz em condições. E elencou então os três motivos para prolongar até ao final do mês as medidas de contenção.

“O primeiro motivo é que a nossa tarefa nos lares precisa de mais tempo”, explicou Marcelo, sublinhando a necessidade de “detetar, preservar e controlar” a doença entre os mais velhos, elemento “imperativo” para consolidar a contenção da pandemia e cuidar dos idosos e até também dos que com eles trabalham e dos familiares.

Em segundo lugar, o Presidente invocou a necessidade de continuar a dar tempo ao SNS para preparar a resposta aos casos mais graves. “Somos os segundos que mais testam na Europa e os números são bons, mas temos de estabilizar o número de internamentos e sobretudo os internamentos nos cuidados intensivos, de forma a assegurar que o SNS pode responder à evolução do surto em caso de aumento de casos na reabertura dos contactos sociais.” E sublinhou: uma coisa é conviver com o vírus com regras já adquiridas e um serviço de saúde capaz de dar uma resposta controlada, outra, a evitar a todo o custo, é ter uma recaída grave.

E isto leva Marcelo ao terceiro e “mais importante” ponto da sua justificação para renovar o estado de emergência até dia 2 de maio: “dar tempo e espaço ao governo para definir critérios, estudar métodos e preparar a abertura gradual da economia e da sociedade, atendendo aos tempos, ao território, às diferentes áreas e setores, com a preocupação de segurança mas também garantindo a confiança dos portugueses, para que possam sair e reatar as suas vidas sem o risco de passos precipitados e contraproducentes”.

Na sua comunicação ao país, o PR quis ainda responder a duas dúvidas que acredita que os portugueses partilham. A primeira, se maio poderá corresponder à expectativa que temos de reabertura. E a essa dúvida, Marcelo respondeu que “dependerá do que alcançarmos ate fim de abril”. Ou seja, o Presidente sublinha que os esforços de contenção não podem abrandar agora, sob pena de se deitar todo o esforço dos últimos meses a perder, quer durante o resto deste mês quer na forma como for pensada a reabertura do país.

E se o retomar da normalidade gradual “é sedutor, também é complexo”, diz, defendendo que é preciso equilibrar “o dever a cumprir e a esperança”. “Maio tem de ser o mês de se criar essa ponte”, afirma, reforçando a necessidade de cautela no retomar da normalidade, que garanta a confiança dos portugueses. “Uma crise na saúde bem gerida e encaminhada dá força à economia e à sociedade, mas se mal gerida na abertura pode trazer problemas à nossa vida e à saúde, logo à sociedade e à economia.”

Agradecendo o comportamento exemplar de todos os portugueses, empresas e dos responsáveis políticos, governo, primeiro-ministro e restantes instituições, Marcelo falou ainda no que os estrangeiros têm chamado de “milagre português”, para garantir que os resultados que estamos a ter no combate à pandemia não resultam de um milagre mas do esforço de todos em cumprir as medidas de contenção. Razão pela qual este novo prolongamento também é necessário, mesmo sabendo que o “cansaço aperta e a sensação de que o pior já passou” nos tenta a abrandar esforços. “Temos de evitar precipitar-nos em abril e perder maio”, disse o PR, sublinhando que o mais difícil vem agora, na reta final do estado de emergência e na reabertura da economia.

“Salvar vidas não tem preço”, rematou Marcelo Rebelo de Sousa.

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