Imobiliário

Estrangeiros gastam seis vezes mais na compra de casa em Lisboa do que no Porto

(Joao Silva/ Global Imagens)
(Joao Silva/ Global Imagens)

Venda de imóveis a não residentes aumentou 14%. Valor médio gasto pelos estrangeiros que compram casa em Portugal é 60% superior à média do mercado.

Querem casas de luxo, para pôr a render ou passar uns dias. Compram sobretudo em Lisboa e no Algarve, que juntos representam 75% do mercado. Mas por todo o país multiplica-se o investimento em imóveis por parte de cidadãos que mantêm residência noutros países. Em 2018, o número de transações cresceu 14,5% em comparação com o ano anterior. Os estrangeiros compraram perto de 20 mil imóveis e gastaram 3,4 mil milhões de euros em imobiliário nacional. São também eles que compram as casas mais caras do mercado.

Os dados publicados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que os estrangeiros que compraram casa em Portugal no ano passado gastaram seis vezes mais em Lisboa do que no Porto. Os não residentes compraram mais de quatro mil imóveis na Área Metropolitana de Lisboa, por um valor total superior a 1,3 mil milhões de euros.

Já na Área Metropolitana do Porto foram vendidos 1700 imóveis por 219 milhões de euros. Feitas as contas, cada estrangeiro investiu em média 322 mil euros na compra de uma casa em Lisboa. No Porto, o preço médio dos imóveis comprados por cidadãos de outros países rondou os 128 mil euros.

Segundo a análise do INE, os cidadãos não residentes compraram 8,2% de todas as casas vendidas em Portugal no ano passado e representaram 13% do valor das vendas.

“Sentimos cada vez mais a chegada de novas nacionalidades ao mercado, e isso acontece tanto em Lisboa como no Porto. Alguns compram com a intenção de um dia vir viver e outros apostam no imobiliário para investimento. São pessoas que têm casas em Milão ou em Londres, e querem ter também um apartamento para passar uma temporada em Portugal ou simplesmente pôr a arrendar”, destaca Patrícia Barão, diretora da área Residencial da JLL.

Na imobiliária, tem sido notório um aumento de compradores do Reino Unido (“que querem investir em euros por causa do Brexit”), mas também cada vez mais belgas ou suíços.

Em média, cada não residente desembolsou 171 mil euros por imóvel, um valor 58% superior à média das transações globais concluídas no país em 2018. Para os especialistas ouvidos pelo DV, o número reflete o tipo de propriedade que os estrangeiros procuram em Portugal, que está sobretudo no segmento de luxo.

“O mercado internacional paga o valor de mercado dos imóveis, não paga mais. São pessoas com um poder de compra mais elevado que os portugueses e procuram imóveis de luxo, como ‘penthouses’ com piscina ou moradias. No caso dos brasileiros, por exemplo, a sua motivação para a compra é a possibilidade de se mudarem para Portugal com a família”, explica Patrícia Barão.

O Brasil surge em terceiro lugar na lista dos principais países de residência dos compradores de imóveis em Portugal, com 8,3% do total, o valor mais elevado de sempre. França, com quase 20%, e Reino Unido, com 16,9%, ocupam o topo da tabela.

Já o peso dos chineses está a cair em flecha. Em 2018, representaram apenas 5% do valor das transações. Em 2014 lideravam o ranking com 30% do valor transacionado. Em 2015 o montante já baixou para 15% e desde então tem-se mantido em torno dos 6%.

No entanto, os residentes na China são aqueles que mais gastam por cada imóvel comprado. O valor médio das transações ronda os 300 mil euros, e mais de 25% das aquisições superaram o meio milhão. A explicação está nos vistos Gold, explica Andreia Almeida, diretora de research da Cushman & Wakelfield. “Se não fossem os vistos dourados os chineses até comprariam um imóvel mais barato, ou talvez nem comprassem em Portugal”.

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