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Estrangeiros reforçam aposta na dívida nacional em seis mil milhões

Fotografia: Filipe Amorim / Global Imagens
Fotografia: Filipe Amorim / Global Imagens

Maior procura por parte de investidores internacionais é um ponto forte para a dívida portuguesa, segundo o Nomura.

As expectativas de melhoria do rating de Portugal levaram a uma aposta forte de investidores estrangeiros. Após alguns anos em que os não residentes fugiram da dívida nacional, nos últimos meses as obrigações do Estado atraem investidores internacionais.

 
Os não residentes subiram as aplicações em títulos de dívida com um prazo superior a um ano em 6,1 mil milhões de euros desde o início de 2017, segundo os dados mais recentes do Banco de Portugal, relativos a setembro. No total, os investidores internacionais detêm 65,28 mil milhões de euros em títulos das administrações públicas com maturidade acima de um ano.

 
Esse regresso dos investidores estrangeiros à dívida nacional é um dos fatores que poderá tornar Portugal mais resistente num cenário de menos apoio do BCE, segundo o Nomura. Numa nota após a subida de rating da Fitch, o banco de investimento referiu numa nota, a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso, que “as taxas das obrigações portuguesas irão provavelmente subir em linha com o resto da dívida europeia, mas acreditamos que essa subida poderá ser contida caso se continue a verificar que os não-residentes estão a substituir a procura do BCE”.

 
Apesar de o banco central estar a comprar menos dívida portuguesa que a meta implícita, devido a uma das regras do programa que impede Frankfurt de deter mais de 33% de uma determinada linha de obrigações, a recuperação dos ratings tem beneficiado a dívida portuguesa. Em setembro, Portugal tinha sido retirado de um nível visto como lixo pelos mercados pela Standard & Poor’s. E na passada sexta-feira, a Fitch também surpreendeu ao subir a notação em dois níveis e equiparando Portugal a Itália. Decisões que permitem à dívida portuguesa ser incluída na maioria dos índices de referência de obrigações soberanas, que são replicados pelos investidores.

 
Essa expectativa permitiu que os juros das obrigações nacionais passassem abaixo dos italianos. Os investidores estão a exigir 1,784% para deter dívida portuguesa a dez anos, segundo a Reuters. No início do ano, chegaram a pedir mais de 4%. E, para os analistas do Société Générale, o regresso a grau de investimento irá levar a que muitos gestores de ativos regressem à dívida portuguesa. “Tentámos estimar o valor de compras que os fundos que replicam indexados destinarão a obrigações portugueses. E, no fim de contas, os valores aparentam ser muito elevados relativamente ao valor de obrigações emitidas”. Um indício de que os investidores internacionais continuarão a aumentar exposição à dívida portuguesa.

 
Reembolsos ao FMI aceleram
Além do maior apoio de investidores internacionais, o Nomura destaca como outro dos pontos fortes da dívida portuguesa a estratégia dos reembolsos antecipados ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que permite substituir dívida com juros mais caros por nova com taxas mais baixas. E o Tesouro continua a acelerar esses pagamentos.

 
O ministério das Finanças anunciou ontem que “Portugal pagou antecipadamente mais uma parcela do empréstimo ao FMI, que vencia entre março e maio de 2021, no montante” de mil milhões de euros. No total do ano foram saldados mais de dez mil milhões de euros. E desde que os reembolsos começaram a ser feitos, no início de 2015, foram liquidados “aproximadamente 80% do empréstimo total do FMI, no montante de 26,3 mil milhões de euros”, refere o ministério liderado por Mário Centeno.

 
No ano que vem, o plano original prevê pagar mais 800 milhões de euros ao FMI, mas este valor poderá muito bem ser superior, tendo em conta o ritmo dos pagamentos antecipados deste ano. Com Luís Reis Ribeiro

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