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Estudo. Aumentar qualificações pode dar mais 13% de crescimento numa década

FOTO: Adelino Meireles / Global Imagens
FOTO: Adelino Meireles / Global Imagens

Estudo da Universidade do Minho apresentado hoje vê o reforço da educação como caminho que oferece maior potencial de crescimento a Portugal.

Se há chave para o crescimento português, a do ensino é a mais acessível e com maior impacto. Segundo um estudo da Universidade do Minho apresentado esta terça-feira, fazer chegar a cobertura da escolaridade obrigatória até três quartos da população com mais de 25 anos poderá dar, numa década, um impulso adicional ao produto interno bruto de 13,3 pontos percentuais.

O documento, apresentado durante o congresso da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) que hoje debate no Estoril a necessidade de requalificação da mão-de-obra portuguesa, avalia os fatores que constrangem o crescimento português, bem como aqueles com mais potencial de acelerarem a economia. E chega à conclusão que a escolaridade é o indicador com “maior impacto no crescimento económico”.

A análise, construída a partir da comparação entre a economia portuguesa e 41 outras economias da União Europeia e do espaço da OCDE, vê o maior progresso potencial na aproximação à mediana deste grupo no que diz respeito à cobertura do ensino secundário. Caso Portugal, com apenas 36,8% dos seus adultos com mais de 25 anos com escolaridade completa, alcançasse a cobertura de 76% que se verifica me metade dos países analisados, o país poderia crescer mais 1,3 pontos percentuais ao ano – e os 13,3% calculados para o período de uma década.

As mesmas contas são feitas para o ensino superior. Neste caso, a mediana no grupo de economias desenvolvidas analisado mostra que 29,5% dos adultos com mais de 25 anos concluíram pelo menos o ensino superior. A taxa é de 19% em Portugal. Eliminar esta distância valeria um acréscimo de meio ponto percentual no PIB num ano, e de 5,4 pontos no final de um trajeto de 10 anos.

O estudo, encomendado pela Associação Missão Crescimento, defende que “os benefícios do investimento em educação são também visíveis no elevado retorno dos licenciados em termos salariais, apesar de algum declínio observado na última década”.

Os autores reconhecem que o valor de um diploma tem vindo a decrescer para os trabalhadores portugueses. Ainda assim, apontam vantagens para os formados nas áreas de ciências, tecnologias, engenharias e matemática.

Reduzir malparado e combater corrupção

Noutros fatores analisados com maior impacto potencial, surgem os que estão relacionados com as condições de financiamento pelos bancos. Nestes, uma aproximação portuguesa aos níveis de crédito malparado registados nos pares europeus e da OCDE (descida de 11,8% para 3,6% nos indicadores usados para cálculo) possibilitaria melhorar o crescimento português em 0,9 pontos percentuais ao ano – 9,5 p.p. ao cabo de uma década. O aumento do investimento, por seu turno, representaria um ganho de 0,5 pontos (mais 5,3 p.p. em 10 anos) no cenário modelado pelos investigadores da Universidade do Minho.

Nas conclusões, os autores destacam que o investimento “atingiu mínimos com a crise financeira internacional e a recuperação tem sido lenta, mantendo-se ainda abaixo dos valores médios da UE” – 0,19% do PIB por comparação com a mediana de 0,24% nos 41 países analisados. “O baixo stock de capital aos dispor dos trabalhadores portugueses constituiu um obstáculo ao aumento da sua produtividade”.

Os restantes grupos de indicadores utilizados para avaliar os maiores contributos para o aumento da produtividade dizem respeito à qualidade das instituições e governança, bem como ao progresso tecnológico.

No primeiro caso, os autores apontam para “um impacto significativo” de melhorias na regulação (mais 2 pontos de crescimento no horizonte de 10 anos) e no combate à corrupção (mais 0,6 pontos percentuais). A aceleração de exportações de alta tecnologia e a formação de técnicos para investigação e desenvolvimento também poderão garantir impulsos de 2 pontos e 0,5 pontos, respetivamente.

 

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