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Estudo. Subida no crédito para carro pode valer impulso de 0,5% no PIB

(Leonel de Castro)
(Leonel de Castro)

Trabalho encomendado por associação do sector destaca impacto de choques no crédito especializado, sobretudo automóvel, no investimento.

Uma subida de 1% nos níveis de crédito para a compra de veículos pode valer um impulso de até 0,5% na atividade económica ao fim de três anos, estima um estudo da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC) apresentado esta terça-feira.

O documento, coordenado pelo economista Pedro Brinca da Nova SBE, avalia o efeito dos choques de crédito no PIB e conclui que as variações nos montantes atribuídos às famílias – a recuperarem desde 2013 – servirão para explicar 15% dos desvios às previsões de comportamento da atividade económica nos últimos anos.

Os valores das novas operações de crédito aos consumidores têm recuperado desde há seis anos, com uma aceleração maior em 2015 e um crescimento de 10,1% no último ano, para 7,4 mil milhões de euros. A evolução mais positiva tem acontecido no crédito à compra de automóvel, sector onde se tem verificado também uma grande proliferação de intermediários de crédito. Em 2018, o crédito automóvel representou 42,4% dos valores de crédito especializado concedidos.

Fonte: ASFAC/Nova SBE

Fonte: ASFAC/Nova SBE

O estudo conclui que é na compra de veículos que ocorre um impacto “estatisticamente significante e positivo” do crédito às famílias portuguesas, com efeito no investimento e consumo de bens duráveis. Um crescimento de 1% nos valores de crédito concedidos equivalerá a um impulso de 0,25% no PIB no período de dois anos e de 0,5% ao fim de três anos, defende.

Já um choque positivo na oferta de crédito especializado em geral terá efeitos menos expressivos, calculando-se um possível incremento da atividade de 0,05% após um ano, e de 0,1% ao final de dois anos.

Se a subida nos valores de crédito concedido forem, no entanto, sustentadas e não temporárias, o impacto poderá representar melhorias de 0,6% no PIB em dois anos, e de 1,15% ao final de cinco anos, de acordo com o estudo.

O estudo também passa em revista a evolução da regulamentação do sector e o nível de endividamento das famílias portuguesas, apontando para a redução dos stocks de crédito vencido. As reduções no incumprimento, aponta, têm sido mais expressivas no caso dos montantes concedidos para consumo, ao passo que tem aumentado o incumprimento nos créditos à habitação.

Ainda assim, a proporção de crédito ao consumo vencido pesa mais: 8% no ano passado, quando a taxa de incumprimento pelas famílias na habitação estava em 2%.

O Banco de Portugal tem vindo alertar para o crescimento do crédito ao consumo, sobretudo para aquele que é concedido por intermediários de crédito nos pontos de venda de forma segmentada – ou seja, onde a avaliação da capacidade de endividamento surge desligada da capacidade global de assumir dívidas das famílias. O banco central recomendou em março uma reflexão sobre o assunto.

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