Costa Silva

“Eu não ameaço ninguém e não tenho vontade de estar no governo”

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O que diz o consultor do governo que desenhou o plano de recuperação para o pós-pandemia.

Onde se vai buscar financiamento para um plano de recuperação tão extenso?
Eu sou um homem de números. Evidentemente, tenho os meus números que partilhei com quem devia partilhar, mas essa é a fase subsequente, aquela em que as prioridades vão ser definidas, e é da competência exclusiva do governo. Os fundos alocados e depois os cronogramas das diferentes atividades que vão ser desenvolvidos e monitorizados. E penso que aí há uma área que já não me compete, é a área em que o governo vai definir as suas escolhas e com toda a competência como órgão de soberania que é. As pessoas estão alinhadas em termos de alguns dos objetivos estratégicos e cientes do que é necessário fazer para que o país seja diferente daqui a dez anos.

Receia que possam chamar-lhe megalómano por ter desenhado um plano tão extenso?
Eu fico sempre contente se chamam megalómano, mas o plano não é megalómano nem é ambicioso. Na estrutura produtiva portuguesa, temos competências para fazer esta transição e para produzir tudo isso. Algumas das coisas que estão aí já estão em desenvolvimento. No fundo, o que precisamos é de integrar numa visão estratégica aquilo que está a ocorrer e olhar para o futuro para ver onde queremos chegar.

O novo ministro das Finanças, João Leão, vai facilitar a vida ao plano?
Penso que o senhor ministro está perfeitamente ciente de todas estas questões. É muito qualificado, tem já grande experiência na sua área e acho que ele vai ser uma surpresa, vai ser um excelente ministro das Finanças – e o país bem precisa.

Espera que alguma destas medidas já apareça no Orçamento do Estado para 2021?
Isso compete ao governo e é o governo que tem de responder.

Depois destes meses intensos a trabalhar com os vários ministros, sente que alguns deles ainda se sentem ameaçados por si?
Eu não ameaço ninguém, sou uma pessoa muito modesta. Senti que isto era um dever meu, cívico, de prestar isto ao país e desenvolver este plano. Tive interações não só com os ministros, mas também com a sociedade civil, com mais de 120 associações, organizações, pessoas, universidades, entidades sindicais, associações ambientalistas. A ideia desde o início é que temos de fazer um plano nosso, o mais transversal possível.

E fica com alguma vontade de integrar um governo?
Nenhuma vontade. Eu tenho a minha vida e felizmente vou continuar a minha vida. Não tenho vontade, sinceramente. Admiro as pessoas que integram os governos e que se sujeitam aos grandes desafios que isso traz à vida – não é fácil.

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