EUA ameaçam com carga pesada de impostos a produtos europeus

A administração norte-americana quer penalizar a Europa devido aos apoios comunitários à Airbus, que considera penalizarem os Estados Unidos.

São perto de 10 mil milhões de euros de produtos europeus exportados para os Estados Unidos que podem vir a ser fortemente taxados, indica um comunicado do gabinete do Comércio norte-americano, citado pela Bloomberg. A medida surge em resposta às ajudas que a Airbus, concorrente da Boeing, recebe do bloco comunitário e que, explica a administração de Donald Trump, "repetidamente têm provocado consequências negativas para os Estados Unidos".

O documento explica que o governo norte-americano irá imediatamente acionar o artigo da secção 301 da Lei do Comércio de 1974 de forma a "identificar os produtos europeus que podem sofrer impostos adicionais até a União Europeia remover os apoios" à Airbus. Na lista, encontram-se vários bens como queijo, vinhos, helicópteros e motas.

Em maio do ano passado, a Organização Mundial de Comércio (OMC) declarou ilegais as ajudas que a Airbus recebeu da União Europeia para as aeronaves A380 e A350, considerando que esses apoios provocaram danos nas vendas dos modelos concorrentes da Boeing. Desde essa altura que Donald Trump ameaça a Europa com impostos, sendo que a administração dos EUA assumiu agora que está só à espera do OK da OMC para avançar com as sanções, prevendo que tal aconteça no verão.

"Este litígio tem 14 anos e está na altura de passar à ação", indicou esta segunda-feira em comunicado Robert Lighthizer, representante do Comércio norte-americano. A primeira queixa dos Estados Unidos à OMC, em relação aos apoios europeus à Airbus, aconteceu há 15 anos. Por outro lado, Bruxelas também apresentou um processo na organização em relação a subsídios dos EUA à Boeing, que a OMC considerou igualmente ilegais, no mês passado.

Caso as sanções económicas avancem, Portugal poderá vir a ser prejudicado uma vez que os Estados Unidos são o principal parceiro comercial português fora da União Europeia e o quinto a nível global, com as exportações nacionais a cresceram de 3,4 mil milhões de euros em 2013 para 4,66 mil milhões de euros em 2017, o que representa um aumento de 8,6% em cinco anos.

As maiores empresas nacionais exportadoras para os Estados Unidos são a Amorim, Petróleos de Portugal, a Bosch, Browning Viana, a Continental, a Hovione, a IKEA Portugal, a Navigator e a Netsjets Transportes Aéreos. Entre os maiores investidores nacionais no mercado norte-americano estão a EDP Renováveis, a Hovione, o grupo Amorim, a Portucel e o grupo Pestana.

" O nosso objetivo é chegar a acordo com a União Europeia de forma a acabar de vez com estes apoios ilegais à aviação civil", indicou Robert Lighthizer. "Quando a UE parar com estes subsídios prejudiciais, as sanções económicas serão levantadas."

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