EUA bloqueiam venda de tecnologia à Rússia por causa de caso Skripal

O Departamento de Estado norte-americano exige inspecções da ONU e provas de que Moscovo não usará mais armas químicas ou biológicas.

Washington decidiu congelar, ainda este mês, a emissão de licenças de exportação de tecnologia norte-americana para a Rússia. A decisão do Departamento de Estado foi anunciada ontem, quarta-feira, com os Estados Unidos a acusarem Moscovo de ter usado armas químicas e biológicas contra o antigo espião russo Sergei Skripal e contra a filha deste, no Reino Unido.

"No seguimento do uso do agente nervoso 'Novichok' numa tentativa de assassinar o cidadão britânico Sergei Skripal e a filha deste, Yulia Skripal, os Estados Unidos, a 6 de agosto de 2018, concluíram sob a Lei de Controlo de Armas Biológicas e Químicas e de Eliminação da Guerra de 1991 que o governo da Federação Russa usou armas químicas e biológicas em violação do direito internacional ou usou armas biológicas e químicas letais contra os seus próprios cidadãos", afirmou Heather Nauert, porta-voz do Departamento de Estado, em comunicado.

O ataque de março, com um agente nervoso conhecido como "novichok", provocou a morte de uma mulher e deixou quatro indivíduos em estado grave. O incidente levou à expulsão dos diplomatas russos do Reino Unido e de duas dezenas de outros países - Portugal não se juntou ao protesto. A Rússia negou responsabilidade no caso, expulsando em resposta diplomatas ocidentais no país.

As sanções dos Estados irão começar a ser aplicadas a 22 de agosto, após notificação ao Congresso norte-americano. Com esta medida, a Rússia fica impedida de comprar tecnologia norte-americana que tenha implicações do ponto de vista da segurança nacional. Haverá no entanto exceções para tecnologia de uso espacial e para atividades de assistência externa por parte dos Estados Unidos.

Washington exige que Moscovo apresente provas de que não está a usar armamento químico ou biológico e que autorize uma inspeção das Nações Unidas no prazo de 90 dias. De contrário, o Departamento de Estado norte-americano promete acionar sanções "mais draconianas".

As medidas que entram em vigor este mês deverão afetar centenas de milhões de dólares de compras do Estado russo aos Estados Unidos, de acordo com a Administração norte-americana.

O anúncio, e a antecipação das sanções, tem estado a penalizar desde ontem o rublo e a dívida soberana de Moscovo. A moeda russa era ontem transacionada nos mercados cambiais no nível mais baixo desde há cerca dois anos, chegando o dólar a valer 64,5 rublos. A diferença entre as yelds da dívida russa e as yields dos ativos mais seguros dos Estados Unidos atingiu o nível mais alto de sempre desde meados do mês passado.

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