EUA iniciam o ano em queda. China mantém-se cautelosa

Depois do pior ano desde 2008, Wall Street entra em 2019 a cair acentuadamente.

Os mercados norte-americanos estão em queda com os investidores a começarem o ano ansiosos com os problemas que colocaram os títulos naquele que foi o pior dezembro desde a grande crise financeira. A contrariar estão o ouro e o iene, ambos a subir, segundo a Bloomberg.

O índice S&P 500 recuou, com os cuidados de saúde e o mercado de consumo sob pressão no primeiro dia de 2019. O último golpe no sentimento dos investidores veio de uma leitura fraca sobre a indústria de manufatura chinesa, que aumentou a preocupação com a desaceleração do crescimento global. Sinais dissimulados que podem significar que Donald Trump está disposto a fazer um acordo com vista a acabar com a paralisação parcial do Governo. O presidente norte-americano convidou os líderes do Congresso para uma reunião bipartidária, a realizar-se esta quarta-feira, sobre segurança das fronteiras na Casa Branca, numa altura em que o "shutdown" do governo federal já vai na sua segunda semana.

As tensões comerciais também permanecem em foco antes das conversações de alto nível previstas para a próxima semana.

O rendimento do Tesouro a dez anos caiu para mínimos de 11 meses, os títulos alemães com maturidade semelhante aumentaram e o iene teve o maior crescimento em seis meses. O petróleo recuperou de uma queda abaixo dos 45 dólares por barril, em Nova Iorque, depois de a Arábia Saudita ter cortado as exportações.

"O que está a levar o mercado a baixo são as preocupações com o crescimento económico e dos lucros no futuro", disse Peter Jankovskis, diretor de investimentos da Oakbrook Investments à Bloomberg. "A preocupação é de que a ação das tarifas, embora não tenha um impacto significativo até ao momento nos EUA, vai começar a pesar nas coisas. E, quando recebemos esses relatórios económicos do exterior, principalmente da China, temos provas de que os impactos são notórios e isso deixa as pessoas nervosas".

O tom de risco que recaiu sobre os mercados em dezembro manteve-se no arranque de 2019 com a ameaça de aumento das tarifas, uma escalada da guerra comercial e a desaceleração do crescimento. Enquanto Donald Trump fez ecoar sinais positivos sobre chegar a um acordo comercial com Xi Jinping, este fim de semana, os dados chineses mostram aos investidores que o conforto protecionista está a começar a ter efeitos na atividade económica.

"Fizemos com que os aumentos de juros do Fed fossem bem conduzidos, por isso estamos a ver uma situação em que os mercados pensam que estamos num período de crescimento mais lento", disse Kyle Rodda, analista do IG Group Holdings Plc, à Bloomberg Television.

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