Tecnologia

EUA limitam exportação de software de inteligência artificial

Apple, Cupertino
O quartel-general da Apple, em Cupertino, nos EUA. Imagem de satélite da Maxar Technologies (EPA/Maxar Technologies)

Trump quer limitar saída para o estrangeiro de software de IA de análise geoespacial. EUA justificam limitações com “interesses de segurança nacional”

Há um novo capítulo na corrida ao título de líder no mundo da inteligência artificial. Nesta semana, o Gabinete de Indústria e Segurança dos Estados Unidos tornou efetiva a ordem que pretende limitar as exportações de software de inteligência artificial que possa ser aplicado à área de imagem geoespacial.

A mensagem ficou clara: o governo de Donald Trump está interessado em limitar os negócios deste tipo de programa informático desenvolvido nos Estados Unidos, com a preocupação de que esta vantagem tecnológica caia em mãos alheias – nomeadamente chinesas. Ao abrigo desta ordem comercial, as empresas norte-americanas que queiram vender este software precisarão de uma licença para negociar com outros países. A única localização que representa uma exceção é um vizinho: o Canadá.

No documento é possível ler as decisões que pesaram nesta reforma comercial: este tipo de programa “garante uma significativa vantagem militar ou de informação aos Estados Unidos ou devido a razões de política estrangeira que justifiquem o controlo” a estas exportações.

A ordem decretada pelo governo americano é bastante específica, enumerando as características necessárias para um programa precisar desta licença antes da exportação. Só está abrangido o software que use redes neurais (um ponto-chave para o conceito de aprendizagem automática), que torne possível a descoberta de “pontos de interesse” em imagem espacial. Por pontos de interesse, o Gabinete enumera exemplos como a descoberta de veículos ou casas. Além disso, também está sujeito a limitação o software de IA de imagens de satélite que disponibilize uma interface gráfica, algo que torne a utilização mais fácil para todos.

Embora a entrada em cena destas limitações não seja propriamente uma surpresa – há cerca de um ano que já existia a sombra desta ordem comercial -, a especificidade do documento deixa alguma margem às empresas de inteligência artificial para respirar. No início de 2019, o The New York Times avançava um crescente sentimento de preocupação por parte das empresas de Silicon Valley, o berço de várias tecnológicas, que receavam perder a sua vantajosa posição no mercado. Só em 2019, o site Statista estima que o mercado de IA tenha gerado 6,36 mil milhões de dólares (cerca de 5,73 mil milhões de euros).

Mesmo com carácter efetivo, esta ordem comercial dos Estados Unidos estará ainda sujeita a comentários até ao dia 6 de março.

Uma tecnologia sensível

Ao longo dos anos, esta tecnologia para análise de imagens de satélite tem crescido no mercado. Muitas das empresas que operam nesta área têm os consumidores ou as empresas como público-alvo e a inteligência artificial tem representado uma forma de dar novas funcionalidades e valor acrescentado a este tipo de negócio.

Os usos deste tipo de software são variados, desde a área ambiental até à área da planificação de estruturas. No entanto, tem também surgido a preocupação de uso deste tipo de tecnologia para fins militares. Afinal, com modelos bem treinados, é possível colocar a tecnologia a tirar partido de um grande volume de dados.

Segundo documentos revelados no ano passado, o próprio governo americano estará a desenvolver um sistema de análise automatizado chamado Sentient.

A luta pelo pódio da IA

Não é segredo que está em curso uma corrida ao lugar de nação mais avançada no campo da inteligência artificial. Tal como afirmou Vladimir Putin em 2017, “quem conseguir ser líder mundial neste campo irá tornar-se o mais poderoso do mundo”. Assim, Estados Unidos, China e Rússia estão interessados em assumir a liderança neste campeonato.

Se, até aqui, os EUA reúnem uma aparente vantagem na corrida, nomeadamente no campo da investigação, a tecnologia chinesa está a ganhar terreno. Segundo um estudo revelado em março de 2019, a China terá já ultrapassado os EUA no número de trabalhos científicos de pesquisa na área da inteligência artificial.

Enquanto isso, a União Europeia esforça-se para criar mecanismos que ajudem a desenvolver a inteligência artificial made in Europe. Em fevereiro de 2019, foi apresentado o plano coordenado europeu para a IA, especialmente tendo em conta o impacto desta tecnologia.

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