EUA querem imposto mínimo global sobre empresas para evitar fuga dos gigantes

Janet Yellen, secretária do Tesouro dos Estados Unidos, admite estar em conversações com os países do G20 para aplicar um imposto mínimo mundial.

Será este o imposto mais importante na economia global das últimas décadas? É bem possível, mas a sua implementação será tudo menos fácil. A secretária do Tesouro dos EUA acredita que esta é a forma de resistir a uma espécie de "guerra tributária" e acabar com o que chama de "corrida para o fundo do poço que decorre há 30 anos".

O trabalho com os países do G20 pretende, assim, chegar a um acordo sobre uma taxa mínima de imposto corporativo global, numa altura em que os EUA se preparam (se Biden conseguir aprovar a mudança) para, já em janeiro de 2022, aumentar os impostos sobre as empresas de 21% para 28%, algo que irá permitir financiar o novo pacote de 2 biliões de dólares de infraestruturas.

Este aumento, a decorrer, irá resultar num corte sobre os lucros corporativos à medida que a economia recupere e o plano de Biden pode reduzir os lucros das empresas no S&P 500 em pelo menos 10%, indica ao Washington Post o analista Dave Zion, que indica que quem tiver mais rendimentos domésticos vão ser mais afetados do que os que tiverem mais receitas vindas de fora dos EUA.

Yellen explicou numa visita ao Conselho de Assuntos Globais de Chicago que também irá aproveitar as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, já esta semana, para avançar nas discussões sobre mudanças climáticas, melhorar o acesso às vacinas e encorajar os países a apoiar uma recuperação global forte.

A experiente secretária do Tesouro diz que é importante garantir que os governos "tenham sistemas tributários estáveis ​​que aumentem as receitas suficientes em bens públicos essenciais e respondam às crises, e que todos os cidadãos compartilhem de forma justa o fardo de financiar o governo", numa altura em que têm havido pressão mesmo em sede da OCDE para criar impostos digitais sobre os gigantes tecnológicos - algo que a administração Trump sempre recusou.

De acordo com a Reuters, um oficial da secretaria do Tesouro explicou aos jornalistas que era importante ter as principais economias do mundo disponíveis para criar o tal imposto mínimo global para torná-lo eficaz.

Estados Unidos estão, assim, preparados para usar a sua própria legislação tributária para evitar que as empresas transferirem lucros ou mudem de residência para países que são paraísos fiscais e poderão tentar incentivar outras grandes economias a fazer o mesmo.

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