aquisição

“Europa é uma região muito democrática”

Wang Qunbin, CEO da Fosun Internacional
Wang Qunbin, CEO da Fosun Internacional.

O CEO da Fosun não está preocupado com as dúvidas da UE face ao investimento chinês em setores estratégicos.

Uma grande comitiva da Fosun acompanhou a aquisição da seguradora La Positiva pela Fidelidade, nesta semana, em Lima, Peru, e a presença de Wang Qunbin, CEO da Fosun Internacional, revela a importância estratégica desta lança na América Latina – e um ambicioso plano de expansão regional.

A investida chinesa surge pouco tempo depois de a Europa ter feito um acordo preliminar acerca da criação de regras para travar investimentos em ativos estratégicos europeus, sobretudo pela China. O CEO nega, porém, que esta diversificação regional seja uma resposta à União Europeia – “a Europa é uma região muito democrática”, diz – e não está preocupado com a pressão das instituições europeias: “Em cada tempo há diferentes opiniões, os líderes vão mudando.”

Quanto à aposta em Portugal, é vencedora: “Desde que a Fosun entrou que temos uma opinião muito positiva”, sublinha o CEO. O BCP, de que é a maior acionista (com 27,06%), é “um investimento estratégico e de longo prazo, no qual estamos confiantes desde o início”. “A sociedade portuguesa pode ver o crescimento do banco”, justifica o gestor, que aponta o BCP e a Fidelidade (da qual detém uma fatia de 85%, com a CGD a controlar os restantes 15%) como “bons exemplos da relação de amizade entre os países”. “O ambiente social e legal em Portugal é positivo e a relação com o governo também.”

Em Lima, Qunbin sublinhou “o passo muito importante que é este investimento da Fidelidade na La Positiva, o primeiro dado no acesso à América Latina”. A expansão é um pilar estratégico para a multinacional: “A La Positiva será o primeiro o passo para entrar no Peru, na Bolívia e na Nicarágua.” E o negócio “torna a Fidelidade mais internacional, não ficando focada apenas em Portugal e nos países de língua portuguesa. Esta aquisição traz ainda uma maior visibilidade à Fidelidade na América Latina e benefícios financeiros à companhia”, conclui o gestor. As vantagens estendem-se a nível da “liderança e das equipas, com a troca de experiências e conhecimento internacional a gerar benefícios de gestão e inovação”.

No Peru, a prioridade é “crescer”, mas o CEO Internacional da Fosun não descarta futuras aquisições – que não estão ainda na agenda. Para já, “importante é desenvolver globalmente a estratégia de crescimento nos seguros. Para o portfólio da companhia queremos usar cada vez mais a inovação e ter melhores produtos e eficiência, além de nos focarmos na cooperação entre Fidelidade e La Positiva”, diz. “O objetivo da Fosun é fornecer um milhão de famílias em todo o mundo nos nossos pilares estratégicos” – criação de riqueza, serviços de saúde, bem-estar e lazer.

Cotada em Hong Kong desde 2007, a multinacional chinesa detém ainda 49% da Luz Saúde.

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