Europa

Europa vai acompanhar utilização dos fundos para incêndios

Carlos Moedas

Carlos Moedas assegura que Bruxelas irá "monitorizar" os fundos europeus destinados a apoiar Portugal pelos incêndios do ano passado.

O comissário europeu Carlos Moedas assegurou hoje que a União Europeia irá “monitorizar” os fundos europeus destinados a apoiar Portugal pelos incêndios do ano passado, mas escusou-se a apontar a existência de qualquer irregularidade.

No final da sua intervenção na Universidade de Verão do PSD, Carlos Moedas foi questionado pelos jornalistas sobre a notícia do jornal i, segundo a qual a maior parte do apoio disponibilizado pelos parceiros europeus vai ficar nos cofres do Estado para que seja possível repor veículos e reforçar o material de combate aos fogos.

“A Europa monitoriza e vai olhar exatamente para como é que os dinheiros foram utilizados, vamos olhar para os regulamentos, e se houve algo que correu mal a Europa nisso tem sido sempre muito direta quando há algum uso indevido (…). Se há alguma irregularidade tenho a certeza que vamos seguir, mas não tenho dados suficientes para o dizer”, afirmou o comissário europeu para a Investigação, Inovação e Ciência Carlos Moedas.

Dizendo que apenas tomou conhecimento deste caso através da comunicação social, Moedas preferiu destacar “a solidariedade que a Europa tem tido em relação a Portugal” no apoio aos danos causados pelos incêndios e lamentou outras notícias de “usos indevidos” de verbas, não relacionadas com fundos europeus, nomeadamente em Pedrógão Grande.

“A Europa vai estar atenta a todas as situações, mas a nossa função foi disponibilizar 50 milhões de euros, o Governo irá utilizá-los e terá de responder perante a Comissão Europeia como faz sempre”, acrescentou.

De acordo com o jornal i, entre as instituições que vão ficar com a maior fatia da verba estão a GNR, a Proteção Civil, o Instituto de Conservação da Natureza e Fundo Florestal Permanente, a Marinha, a Força Aérea e o Exército e o restante vai ser distribuído apenas pelos municípios afetados pelos incêndios de 15 de outubro.

Questionado sobre a recente proposta lançada pelo secretário-geral do PS, António Costa, de dar incentivos fiscais a quem emigrou no período da ‘troika’ para regressar a Portugal, Carlos Moedas disse não conhecer a medida em detalhe, mas fez uma apreciação genericamente positiva.

“Todas as medidas que tenham a ver com incentivos para os que saíram voltarem são interessantes”, afirmou, salientando que o Governo PSD/CDS-PP que integrou já tinha tomado iniciativas nesse sentido.

Por outro lado, salientou, são “também importantes os incentivos para as pessoas poderem ir para fora” e trabalhar noutro país da União Europeia, se assim o desejarem.

“Nós somos Europa. Eu sou um exemplo disso, trabalhei 14 anos fora de Portugal e regressei”, afirmou.

Instado a comentar um recente alerta do dirigente do BE Francisco Louçã de que a direita poderia apostar numa “campanha suja” nas próximas eleições, Moedas respondeu que os extremos estão nos dois lados ideológicos.

“A política suja vem da extrema-direita, mas também da extrema-esquerda e é importante em Portugal não esquecermos o papel dessa extrema-esquerda, tão negativo como o da extrema-direita”, disse, estranhando que Louçã não se refira à extrema-esquerda, “área política que conhece bem”.

Os perigos de ambos os extremos ideológicos políticos foram um dos alertas deixados pelo comissário europeu na conferência perante os alunos da Universidade de Verão, com o tema “A Ciência muda o nosso futuro?”.

“Nunca se esqueçam que o populismo é de extrema-esquerda e de extrema-direita”, salientou, acusando estes dois blocos de querem agravar as desigualdades ao apostar num maior afastamento entre a globalização da economia e uma política de “muros e fronteiras”.

Na sua intervenção, Moedas defendeu que a tecnologia, se pode destruir alguns postos de trabalho, irá também criar “novas profissões e mais inteligentes” e pediu uma nova forma de corrigir as desigualdades.

“Nesta nova geração, não podem pensar que a solução poderá ser feita através dos impostos, porque as pessoas já não aguentam mais impostos. A vossa geração tem de olhar para a solução pelo lado da tecnologia”, defendeu.

A Universidade de Verão do PSD, organização conjunta com o Instituto Francisco Sá Carneiro, JSD e Partido Popular Europeu, é uma iniciativa de formação política de jovens quadros, que tem este ano a sua 16.ª edição e será encerrada no domingo pelo presidente do partido, Rui Rio.

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