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Europa vive o pior momento económico desde a última recessão

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. Fotografia: EPA/STEPHANIE LECOCQ
Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. Fotografia: EPA/STEPHANIE LECOCQ

É necessário recuar ao último trimestre de 2013 para encontrar crescimentos económicos inferiores. Abrandamento começou há cerca de um ano.

A Europa (União Europeia a 28 países) e a zona euro (19 países) estão a viver o seu pior desempenho económico desde que conseguiram emergir da última recessão, em 2013.

Segundo o Eurostat, na nova estimativa rápida para o produto interno bruto (PIB) trimestral (em pdf), divulgada esta quinta-feira, a União Europeia (UE) cresceu apenas 1,5% no quarto trimestre de 2018 face a igual período de 2017. O desempenho da zona euro foi mais fraco: 1,2%.

Ambos os valores são os piores registos dos últimos cinco anos, sendo necessário recuar ao último trimestre de 2013 para encontrar marcas mais baixas (1,2% e 0,7%, respetivamente).

Os dados do Eurostat mostram também que a Europa está num ciclo de desaceleração persistente (piora sempre a cada trimestre) que dura desde o terceiro trimestre de 2017 (ver gráfico da variação homóloga do PIB, em baixo). O crescimento real está a desvanecer há mais de um ano, portanto.

Crescimento da economia, em termos homólogos (%). Fonte: Eurostat

Crescimento da economia, em termos homólogos (%). Fonte: Eurostat

A travagem da economia europeia acontece porque praticamente todos os países experimentam dificuldades e o impacto de condições externas cada vez mais adversas.

Como referiu o presidente do Eurogrupo numa entrevista recente ao Dinheiro Vivo e à TSF, em 2018, as “frustrações” mais fortes para Mário Centeno foram “provavelmente a acumulação de riscos que vou reputar de desnecessários porque resultam de decisões que, em meu entender, não foram bem avaliadas”.

“O Brexit, a situação orçamental italiana e as decisões ao som de tweets da administração americana [dos Estados Unidos]”, revelou. “Devemos ser sempre otimistas”, mas de facto estes riscos resultaram, precisamente, de decisões que não foram bem ponderadas”, acrescentou o também ministro das Finanças português.

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), também está mais preocupado. Na semana passada, disse que “a informação que tem vindo a ser disponibilizada continuou a ser mais fraca do que o esperado devido a um abrandamento da procura externa e a alguns fatores específicos a nível dos países e dos setores”.

“A persistência de incertezas, relacionadas, em particular, com fatores geopolíticos e com a ameaça do protecionismo, está a pesar sobre o sentimento económico”.

Um deles é a total indefinição relativa ao Brexit e aos seus impactos (ainda nem sequer se tornou claro se a saída do Reino Unido da UE se fará com ou sem acordo).

Draghi alertou ainda para o futuro próximo. “Os riscos em torno das perspetivas de crescimento da zona euro deslocaram-se para o lado descendente [negativo]”.

Uma vez mais, o cenário é mais sombrio “devido à persistência de incertezas relacionadas com fatores geopolíticos e a ameaça do protecionismo, de vulnerabilidades nos mercados emergentes e de volatilidade nos mercados financeiros”.

FMI faz forte revisão em baixa

O pior momento da economia europeia acontece porque várias grandes economias estão a fraquejar e isso vai propagar-se ao corrente ano.

No outlook económico intercalar divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) a 11 de janeiro, a projeção de crescimento da zona euro em 2019 levou um corte de três décimas. Em vez de crescer 1,9%, como se previa em outubro, a união monetária só deve avançar 1,6% este ano.

A maior despromoção acontece à Alemanha, a maior economia do euro, que teve uma revisão em baixa de 0,6 pontos percentuais, devendo crescer apenas 1,3% em 2019.

A expansão de Itália foi reduzida em quatro décimas. A terceira maior economia da zona euro só deve crescer assim 0,6%.

França, o segundo maior país, cresce 1,5% (menos uma décima face a outubro).

Espanha, o maior parceiro económico de Portugal, ficou na mesma. O FMI calcula que possa manter um ritmo de 2,2% de crescimento.

(atualizado às 18h35 com as projeções mais recentes do FMI para 2019)

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