Eurostat antecipa INE e baixa desemprego até 17%

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A taxa de desemprego oficial do segundo
trimestre, que hoje será anunciada pelo Instituto Nacional de
Estatística (INE), terá descido no segundo trimestre deste ano, até
próximo dos 17% da população ativa (para cerca de 913 mil
pessoas), indica o Eurostat. Mas, mostram as séries históricas, é
bastante raro o desemprego piorar neste período por causa da
proximidade do verão e dos trabalhos sazonais.

Em todo o caso, se assim for – e apesar de ser
de 10% o aumento do número de pessoas sem trabalho face ao segundo
trimestre de 2012 -, o recuo trimestral poderá chegar a 0,7 pontos
percentuais, o maior desde igual trimestre de 2000. Mas nessa altura
o desemprego total estava em 3,7%.

Os novos dados para o segundo trimestre de
2013, recolhidos pelo Dinheiro Vivo, não são ajustados de
sazonalidade – são, por isso, os que melhor comparam com a métrica
oficial. A atualização foi feita na passada sexta-feira pelo
Eurostat.

Essa taxa com sazonalidade é, de forma
consecutiva, superior em duas décimas à taxa divulgada pelo INE. No
segundo trimestre o Eurostat aponta para 17,2%, donde o INE poderá
hoje publicar 17%.

Recentemente, antes deste declínio trimestral,
vieram a lume alguns sinais de desanuviamento ligeiro no mercado de
trabalho (IEFP) e em alguns indicadores mensais de atividade
económica.

O Governo tem aproveitado o facto para prometer
que a desejada retoma está mesmo aí ao virar da esquina. “A
produção industrial cresce sustentadamente”, “o nível de
confiança aumenta sucessivamente”, “as exportações crescem com
consistência”, “é cada vez mais provável que no segundo
trimestre tenhamos registado crescimento”, disse Pedro Passos
Coelho há pouco mais de duas semanas.

Vários economistas ouvidos ao longo das
últimas semanas pelo Dinheiro Vivo sublinharam que, de facto, ao
longo das últimas semanas tem havido sinais menos sombrios na
economia, mas que estes estão sobretudo ligados ao sector exportador
– com os combustíveis da Galp a puxarem pelas vendas – e ao turismo.

No entanto, disse Manuel Caldeira Cabral,
professor de Economia da Universidade do Minho, “terminado o verão
é preciso ver fazer o balanço da estação turística” e “teremos
de ver como reagem as pessoas e os empresários às medidas gravosas
de corte na despesa que terão de ser plasmadas no Orçamento do
Estado de 2014”.

Estas medidas podem assustar muita gente,
afundando ainda mais o consumo e o investimento. E arrastando a
criação de emprego.

Economistas ouvidos ontem pela Reuters
sublinharam a fragilidade da aparente inversão do desemprego. José
Brandão de Brito, do BCP, referiu-se ao efeito cíclico mas positivo
do “turismo”. Paula Carvalho, do Banco BPI, frisou “fatores
sazonais relacionados com a criação de emprego temporário no
turismo e não uma alteração de tendência”. O próprio Eurostat
aponta para essa explicação. A taxa sem sazonalidade mostra que o
desemprego não piora, mas também não melhora. Ficou em 17,6% (como
no primeiro trimestre), um recorde histórico.

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