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Eurovisão: Edição portuguesa pode ter custos abaixo da média

Portugal vencei pela primeira vez a Eurovisão graças à música "Amar Pelos Dois", escrita por Luísa Sobral e interpretada pelo irmão, Salvador Sobral. Fotografia: EPA/SERGEY DOLZHENKO
Portugal vencei pela primeira vez a Eurovisão graças à música "Amar Pelos Dois", escrita por Luísa Sobral e interpretada pelo irmão, Salvador Sobral. Fotografia: EPA/SERGEY DOLZHENKO

Investigador da universidade Lusófona diz que Portugal pode organizar evento com custo abaixo de 25 milhões de euros

Portugal pode entrar na história da Eurovisão, organizando o festival da canção a custos inferiores à média dos últimos cinco anos, que rondam os 25 milhões de euros, defendeu o investigador Jorge Mangorrinha, em declarações à agência Lusa.

Para o professor universitário, investigador, autor e coordenador de vários estudos sobre os festivais da canção, o Eurofestival, em Portugal, deve ser organizado “criativamente, com base num orçamento mais baixo do que a média dos últimos cinco anos, para que se quebre a tendência para valores elevados, e até para que, no futuro, todos possam ser capazes de sediar” o acontecimento.

O investigador da Universidade Lusófona, com doutoramento e pós-doutoramento nas áreas de Urbanismo e Turismo, que nos últimos dois anos efetuou um estudo sobre como Lisboa se deverá preparar para receber o festival, cita a edição de 2012, em Baku, no Azerbaijão, como uma das que teve orçamento mais elevado, com custos “acima dos 55 milhões de euros”, incluindo a construção de “uma nova arena de espetáculos”.

A partir desse ano, os valores desceram, afirma o investigador, exemplificando com os 42,4 milhões de euros gastos em Copenhaga, em 2014, os 38,5 investidos em Viena, em 2015, os 30 milhões investidos este ano em Kiev, e os 14 milhões gastos em Estocolmo, em 2016, o valor mais baixo dos últimos cinco anos.

Ou seja, a média dos custos de organização do festival, nestes anos, ronda os 25 milhões de euros, valor em que Portugal se pode basear, ou que pode mesmo baixar, através de “uma aposta minimalista, mas imaginativa” e “de parcerias”, que permitam organizar o certame com uma verba que Mangorrinha acredita poder ser “recuperada a curto, médio e longo prazo”, até porque “o investimento passa também pela rede ‘eurovisiva’ e pelas empresas, e não só pela RTP e pelo município”.

O Festival da Eurovisão “é um exercício de superação anual, com base na imaginação, desde logo pelos requisitos tecnológicos que muitas canções já exigem”, mas é também, na ótica do investigador, “um desafio de gestão financeira e de parcerias” que podem transformar os custos organizativos em “custos de oportunidade”.

Se conseguir conferir à organização do Festival essa “nova visão”, Portugal “pode ficar, desde logo, na história deste certame”, disse Jorge Mangorrinha à Lusa.

Embora a maior parte dos países não forneça com exatidão as receitas de turismo e publicidade obtidas com o Eurofestival, “porque há variáveis que dificultam a análise dos valores, e porque há impactos a longo prazo que dependem dos contextos locais”, o estudo aponta para “8,2 milhões de receita só no turismo”, em Baku, ou “20 milhões em acréscimo do turismo e de dez milhões em publicidade, direta e indireta”, este ano em Kiev.

“O número acrescido de turistas nas cidades organizadoras tem-se situado na casa das três dezenas de milhares”, estimando o investigador que, “pela novidade que é a cidade de Lisboa neste contexto”, o acréscimo seja de “mais de 10%, podendo chegar às quatro dezenas de milhares de turistas, incluindo delegações e imprensa”.

Estes números levam o investigador a admitir “taxas elevadas” de ocupação que podem chegar, na última semana do festival, “aos 100%”, quer no alojamento oficial quer no não regulado.

Devido à difusão televisiva e à presença de imprensa de todo o mundo, as mais-valias refletir-se-ão “no acréscimo de turistas, no negócio na hotelaria, na restauração e no comércio, nas receitas de bilheteira, na compra de direitos de transmissão dos três espetáculos”, mas também, segundo o investigador, “nas possibilidades futuras para a economia local”, originando “negócios que perdurem”.

O festival fomentará ainda a criação de postos de trabalho, “mas a maior parte deles acaba por ter um vínculo temporário, nos setores hoteleiro e da restauração, bem como nas artes, na radiodifusão e na publicidade”, concluiu Jorge Mangorrinha.

Jorge Mangorrinha é o coordenador do estudo da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias sobre as participações portuguesas no festival da Eurovisão e a imagem projetada durante mais de 50 anos, através da iniciativa. Mangorrinha analisou igualmente casos particulares de seis décadas da Eurovisão.

A realização do Eurofestival, ao nível de infraestruturas, transportes, planos de emergência e de segurança, e o seu impacto na hotelaria, comércio, animação diurna e noturna, capacidade de carga dos espaços e especificidade da procura turística, nos aspetos físicos, culturais e económicos, entre outras variáveis, têm sido igualmente objeto de análise de Mangorrinha, nos últimos anos.

 

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