Turismo

Eventos internacionais devem ter o mesmo tratamento fiscal que as exportações

Foto: MIGUEL A. LOPES/LUSA
Foto: MIGUEL A. LOPES/LUSA

Principais concorrentes de Portugal entendem que a prestação de serviços em eventos internacionais não paga IVA porque equivale a exportações.

Os grandes compradores de locais para a realização dos próximos grandes eventos a nível mundial consideram Portugal um destino “exótico” e com interesse, porém a carga fiscal que é aplicada, em IVA a 23%, retira competitividade ao destino, explicou Brad Williams, no 42º Congresso da Associação das Agências de Viagens e Turismo.

O norte-americano, CEO da Platinum DMC Collection, empresa que representa um conjunto de empresas de organização de eventos internacionais de elite, considerou que “há uma boa perceção de Portugal na questão do valor/qualidade”, contudo ainda precisa de “ser mais competitivo na isenção de IVA”. Da lista de recomendação constam ainda incentivos à construção de mais hotéis de luxo novos, publicitar de forma mais evidente as novas ligações aéreas, dar ênfase ao binómio valor/qualidade oferecido pelo país, criar uma marca e contar a história de Portugal de forma a “torná-lo pessoal”.

“Espanha consegue agrupar os transportes aéreos e terrestres, os hotéis e os restantes serviços necessários aos eventos em pacotes que o Governo considera exportações, por isso não cobra IVA”, recordou o empresário, dando força às reivindicações dos profissionais do turismo.

Para João Silva, administrador da Team Quatro, uma empresa portuguesa de organização de eventos, “não faz sentido que o Governo português venha falar de legalidade quando anda há anos a praticar dupla tributação no automóvel”. Além disso, elaborou, “é preciso avaliar quanto vale esta questão para Portugal, porque se calhar Espanha fez as contas e percebeu que a UE pode multar em 100 milhões de euros, mas entretanto faturou três mil milhões nos eventos”.

“Ainda ninguém se lembrou de fazer as contas para saber quanto é que o país perde em IVA dos sapatos que são exportados”, comparou João Silva, recordando que os eventos internacionais beneficiam vários setores de atividade no país mas “equivalem a exportações e devem ter o mesmo tratamento fiscal”.

Se Portugal ainda é “exótico” para os EUA, estando ainda na moda com o encerramento de destinos concorrentes desde a Turquia ao Egipto e todo o Norte de África, “os nossos principais concorrentes nos eventos são Espanha e Itália”, sublinhou João Silva.

O representante da tutela no debate, Joaquim Pires, marketing manager do Turismo de Portugal para as reuniões e incentivos, recordou que estão agendados 42 novos congressos internacionais em 2017, fruto do trabalho desenvolvido nos últimos anos, e esclareceu que poderá apenas “recomendar” estratégias à Secretaria de Estado do Turismo.

 

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